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Rita Carmo

Fernando Ribeiro (Moonspell): “Tentamos adaptar-nos, mas o metal não vive de distanciamento nem de ver concertos em casa ou sentado”

“Hermitage”, novo álbum dos Moonspell a editar este mês, mostra um registo diferente: “sem a parte operática, sem a parte bombástica, algo mais fluido”. O líder da banda não acredita que seja possível apresentá-lo ao vivo no primeiro semestre deste ano e encara 2022, o ano em que o grupo celebra 30 anos, como “uma encruzilhada”

Os portugueses Moonspell lançam a 26 de fevereiro o 13.º álbum de uma carreira prestes a assinalar três décadas de existência, intitulado “Hermitage”, que o vocalista Fernando Ribeiro disse ser um disco “sem qualquer espécie de amarras” ao passado do grupo.

Fruto de um processo que se iniciou em 2017, no rescaldo de “1755”, “Hermitage” foi gravado no Reino Unido com produção de Jaime Gomez Arellano, que “percebeu muito bem o som” que a banda pretendia de “um disco sem qualquer espécie de amarras, ao legado, à sonoridade, à futura opinião dos fãs”, afirmou o líder da banda à agência Lusa.

“Numa certa altura, em 2019, senti que a música tinha ido a um sítio, mas não tinha passado dali, e pressionei muito para o [teclista] Pedro [Paixão] e o [guitarrista] Ricardo [Amorim] se libertarem. […] A partir daí, conseguimos arranjar aquilo que pensávamos que iria destacar este álbum dos outros. Um som muito mais personalizado, quase um diálogo entre os cinco músicos e o fã, sem muitas camadas, sem a parte operática do ‘1755’, sem a parte bombástica, algo mais fluído”, disse à Lusa Fernando Ribeiro.

Em termos conceptuais, o álbum deve-se a uma “consciencialização filosófica de que, apesar da conectividade, existia um grau de solidão nunca visto no mundo” e, por isso, Fernando Ribeiro começou a pesquisar o que rodeia a ideia de ermita.

Questionado sobre planos de promoção, numa altura em que Portugal está sob confinamento para prevenção do contágio da covid-19, à semelhança dos restantes países europeus, Fernando Ribeiro disse que a banda não mantém esperança de conseguir realizar qualquer plano que tivesse para o primeiro semestre deste ano. “Muitas das coisas já foram adiadas ou canceladas. Ou até desapareceram completamente da nossa agenda”, afirmou o vocalista dos Moonspell.

Com o 30.º aniversário do grupo, que se cumpre no próximo ano, a aproximar-se, e face à impossibilidade de apresentar “Hermitage” em palco como esperariam, Fernando Ribeiro reconheceu que vão chegar a uma “encruzilhada” em 2022: celebrar os 30 anos do grupo com concertos mais “compilatórios” do histórico ou mostrar o mais recente registo. “Para já, estamos a apontar algumas baterias para Portugal. Vamos tentar reativar uma das ‘tournées’ que nos permitiram tocar em Portugal, que era a ‘tournée’ do ‘Sombra’, um projeto semiacústico com violoncelos que encaixa um pouco naquele registo mais intimista, mais musical do ‘Hermitage’”, revelou o vocalista da banda, que frisou que 2022 vai ser um “ano muito competitivo” e que, por isso, estão a tentar “dotar” os Moonspell de ferramentas para enfrentar esse momento.

“Sendo uma banda de velha guarda, temos tentado informar-nos e atualizar-nos. Mas sem dúvida que este estilo não vive do distanciamento social nem de ver concertos em casa ou sentado. Há de haver uma altura em que o próprio público vai ter o seu ponto de viragem ou ter uma fruição da música completamente diferente”, declarou o músico, salientando que, na pré-venda, "Hermitage" esgotou já dois formatos.

No início do mês, os Moonspell partilharam uma playlist com as canções que mais influenciaram o grupo. As escolhas de Fernando Ribeiro, Pedro Paixão, Ricardo Amorim, Aires Pereira e Hugo Ribeiro não se cingem exclusivamente ao mundo do metal, havendo espaço para outras propostas de outros campos - casos dos The Cure, Doors, Pink Floyd, Echo & The Bunnymen ou Depeche Mode. No que ao rock mais pesado diz respeito, encontram-se temas de artistas como os Cradle of Filth, Queen, Nine Inch Nails, Type O Negative, Deftones, Tool ou Bathory. No total, 4h e 37 minutos de música espalhadas por 50 canções, 10 por cada membro dos Moonspell.

Em janeiro, o grupo estreou na BLITZ o videoclip de 'All Or Nothing', um épico de mais de 7 minutos com um videoclip “gravado num teatro vazio”, simbolizando “os dias que correm em que a solidão domina a cultura e a música”.

Com Lusa