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A vacina dos Foo Fighters. A festa possível num sábado à noite confinado

Em 2020, os Foo Fighters planeavam celebrar os 25 anos de carreira com um disco e uma digressão. Adiado até agora, “Medicine at Midnight” faz a festa, mesmo que os sábados à noite continuem confinados. Contudo, se a ética punk parece nunca ter abandonado Dave Grohl, o som dos Foo Fighters é mais amigo do ouvido comum do que o das bandas que lhe mudaram a vida

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Ao longo dos últimos 25 anos, os Foo Fighters, uma banda que começou por ser “o grupo do baterista dos Nirvana”, aperfeiçoaram a sua marca de rock para arenas ou estádios. Rock raçudo, mas cujo peso nunca se intrometeu no caminho de uma boa melodia, de um refrão para ficar a entoar todo o dia, de uma energia que convida à partilha comunal de uma só canção. Todas essas experiências, sabemo-lo tristemente, estão suspensas até prova (vacina?) em contrário. “Medicine at Midnight” convida-nos então a um exercício de imaginação: ao que soariam estas nove canções no contexto de enormes recintos ao ar livre, tocadas para multidões a perder de vista? Ou até numa longa viagem de carro, com cabelos ao vento e sol a corar o rosto livre de máscaras? Soam bem, competentes, sólidas. Não é de Dave Grohl e parceiros — homens na casa dos 40, 50 e 60 anos — que devemos esperar inovação ao serviço das guitarras elétricas. Numa altura em que o rock está longe de ser a língua franca da música contemporânea, uma banda como os Foo Fighters, que continuam a encher estádios e a vender quantidades muito simpáticas de discos, é uma instituição, e as instituições são, por norma, conservadoras. Ao cabo de uma dezena de álbuns de estúdio, não é um “Kid A” — disco com o qual os Radiohead deram uma volta à carreira e outra à cabeça dos fãs — que se espera dos autores de ‘Everlong’, mas sim uma continuidade serena, que provavelmente fará mais pela manutenção dos fãs existentes do que pela angariação de novos públicos.

Nascido em janeiro de 1969, Dave Grohl, o baterista que entrou nos Nirvana antes da ‘explosão’ de “Nevermind” e que em 1994 se assumiu como vocalista, letrista e timoneiro dos Foo Fighters, foi um miúdo obcecado por música e, em particular, pelo punk hardcore. Num testemunho na primeira pessoa, publicado no início deste ano pelo jornal “The Guardian”, expõe as suas origens: “Mesmo antes de ser adolescente, comecei a tocar música no meu quarto, sozinho. Apaixonei-me pelos Beatles, depois comecei a descobrir o rock clássico. Fui dos Kiss aos Rush e aos AC/DC, mas em 1983 descobri o punk através de um primo de Chicago. O meu mundo ficou virado do avesso. As minhas bandas favoritas eram os Bad Brains e os Naked Raygun; ouvia Dead Kennedys e Black Flag.”

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.