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Museu do Fado

Morreu aos 100 anos Joel Pina, músico de Amália Rodrigues

Joel Pina acompanhou diferentes gerações do fado e completaria 101 anos na próxima quarta-feira

O músico Joel Pina, que foi viola baixo de Amália Rodrigues, morreu esta quinta-feira, em Cascais, onde se encontrava hospitalizado, disse à Lusa a diretora do Museu do Fado, Sara Pereira.

Joel Pina, que acompanhou vários intérpretes portugueses e diferentes gerações do fado, como Maria Teresa de Noronha, Teresa Tarouca, Tony de Matos, Max e Tristão da Silva, completaria 101 anos na próxima quarta-feira.

O músico foi homenageado em setembro do ano passado, no Teatro São Luiz, em Lisboa, num concerto que contou com as participações, entre outros, de Maria da Fé, Mariza, Gonçalo Salgueiro, Mísia, Teresa Siqueira e Lenita Gentil, e ao qual assistiu o primeiro-ministro, António Costa.

Joel Pina era o nome artístico de João Manuel de Pina, nascido em 17 de fevereiro de 1920. O músico acompanhou Amália Rodrigues durante mais de 30 anos, assim como vários intérpretes portugueses de várias gerações, de João Braga a Camané.

Fez parte do Quarteto Típico de Guitarras de Martinho d'Assunção e do Conjunto de Guitarras de Raul Nery, entre outros agrupamentos chave da história do fado.

"Sempre se deixou inspirar também pelos mais novos", Graça Fonseca

Esta sexta-feira, a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou "profundamente a morte do músico e guitarrista Joel Pina", recordando-o como “memória do fado”, “figura central” desta expressão, e “referência maior da música portuguesa", numa nota de pesar.

"Modelo de dedicação e inventividade, com aquela tão rara qualidade de quem sabe criar novo com profundo respeito pelo antigo, tão bem conhecido", Joel Pina é "um dos marcos do fado, símbolo maior desta comunidade (...), aquele intérprete que, por amar o fado, tanto acompanhava o mais jovem intérprete, que nunca deixou de apoiar e ensinar, como o cantor já há muitos anos celebrado", escreve Graça Fonseca.

Com "uma carreira de muitas décadas, Joel Pina foi intérprete querido e mestre de muitos, mas sempre se deixou inspirar também pelos mais novos, procurando aprender, desafiando-se e tornando extensão natural do seu corpo a viola baixo com que tantos acompanhou, como Carlos do Carmo, Celeste Rodrigues, Teresa Silva Carvalho, João Braga, Cristina Branco ou Ricardo Ribeiro, entre muitos outros", recorda a ministra.

Natural do Rosmaninhal, Idanha-a-Nova, onde nasceu em 1920, "a vida de Joel Pina confunde-se com a história do fado, como um dos seus mais virtuosos intérpretes e como inovador que ajudou a definir novos rumos". "Em seis décadas de percurso profissional acompanhou e tocou com os mais importantes nomes do fado, desde as longas parcerias com Maria Teresa Noronha e, mais tarde, com Amália Rodrigues", nomes aos quais acrescentou "a participação em discos e espetáculos de fadistas de todas as gerações que, ao longo do seu percurso inolvidável, foram surgindo", lê-se na nota de pesar assinada pela Ministra da Cultura.

Graça Fonseca recorda ainda Joel Pina como "uma das figuras de destaque da cultura portuguesa" e o seu "percurso amplamente premiado", nomeadamente com a Medalha de Mérito Cultural do Estado português, que recebeu em 1992, "pelo seu trabalho e por representar uma parte tão significativa da memória do fado".

"O fado perde uma das suas maiores referências, mas também alguém que deixou exemplo e inspiração e que, por isso, terá sempre um lugar no pensamento daqueles que, com ele, tanto aprenderam ou, simplesmente, se encantaram. Joel Pina será recordado como o que sempre trouxe na sua memória, e nos seus dedos, a memória do fado", escreve Graça Fonseca.

A Ministra da Cultura recorda ainda o concerto de homenagem a Joel Pina, realizado no dia 24 de setembro do ano passado, no Teatro São Luiz, em Lisboa, onde comemorou os seus 100 anos de vida.

"O mestre Joel Pina acompanhou instrumentistas e cantores de diferentes gerações, como fez ao longo da vida. Impressionou a sua destreza própria de um jovem e emocionou ao receber o carinho de tantos que ali fizeram questão de estar, apesar das circunstâncias. Nessa noite, destacou-se presença, a força e a importância que o 'mestre da viola baixo' imprimiu ao nosso fado. Aos 100 anos, o jovem Joel Pina tocava para novos e velhos, famosos e desconhecidos, com uma rara simpatia e delicadeza e um profundo amor pelo fado que nunca abandonou", lê-se