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Colin Greenwood dos Radiohead devastado com os custos das digressões pós-Brexit. “Vai ser como tocar na América do Sul”

Colin Greenwood, dos Radiohead, faz as contas e explica porque é que o Brexit vai impossibilitar muitas digressões de músicos britânicos. “Será como tocar na América do Sul, em que cada país tem a sua própria forma de lidar com 'outros países' como o nosso”. E dá um exemplo do imposto que uma guitarra dos Radiohead terá de pagar para sair do Reino Unido

Colin Greenwood, baixista dos Radiohead, manifestou-se contra as mudanças impostas pelo Brexit na vida dos músicos britânicos que fazem digressões internacionais.

Excluídos do acordo comercial em vigor desde 1 de janeiro deste ano, os músicos têm agora de obter um visto por cada país em que queiram tocar na Europa.

Esta obrigatoriedade aumentará de forma significativa os custos das digressões e poderá impossibilitar muitas delas.

"Antes do Brexit, só precisávamos de declarar os bens quando íamos à Noruega e à Suíça. Agora [tocar na Europa] será como tocar na América do Sul, em que cada país tem a sua própria forma de lidar com 'outros países' como o nosso. O nosso contabilista diz que uma guitarra de 11 mil euros [implicará documentação] de cerca de 700 euros mais imposto. Os custos das viagens e hospedagem já são elevados, e a documentação extra só aumentará essas despesas", explica Colin Greenwood no Guardian.

Para Colin Greenwood, o Governo de Boris Johnson deveria admitir que "não fez o necessário" para prevenir este cenário e renegociar as condições para os músicos andarem em digressão.

De "coração partido" pelos "custos e pela confusão" da vida dos músicos pós-Brexit, o inglês remata: "A música do meu país é tão rica porque não olha a fronteiras e barreiras; é uma grande fonte de patriotismo, confiança, alegria e paixões partilhadas. Tenho orgulho do meu país e de toda a música que ele trocou com o mundo e estou certo que pessoas de todas as idades e culturas, no Reino Unido, sentem esse mesmo orgulho. É a antítese do nacionalismo culturalmente limitado que é o Brexit."