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Marilyn Manson enquanto vilão: o que é verdade e o que é ficção?

Está debaixo de fogo. As recentes acusações levaram Marilyn Manson a ser abandonado por vários setores da indústria. Enquanto os factos não são apurados, fica a dúvida: será que a verdade esteve sempre à vista na obra de Manson, o artista?

Numa semana marcada pelas alegações de abuso sexual contra Marilyn Manson, feitas pela sua ex-namorada, a atriz Evan Rachel Wood, muitos se têm perguntado: será que, com um imaginário desde sempre marcado pela violência e pelo macabro, a obra do norte-americano era menos ficcional do que se poderia pensar?

O site de música Pitchfork fez um levantamento de alguns momentos em que o comportamento de Marilyn Manson na sua vida pessoal parece ter-se intercetado com a estética dos seus discos e dos seus vídeos.

Na sua autobiografia, "The Long Hard Road Out of Hell" (1998), por exemplo, o artista partilha vários casos de encontros pouco amistosos com mulheres. No capítulo “Meating the Fans / Meat and Greet", conta que cobriu uma fã surda com pedaços de carne, antes de vários membros da banda terem relações sexuais com ela e de Manson e um outro músico urinarem sobre a mulher. A cena é apresentada como "consensual".

Em novembro do mesmo ano, o editor da revista Spin acusa Marilyn Manson de ter ameaçado matá-lo, na sequência de uma discussão sobre uma capa. Anos mais tarde, o músico confirma à Rolling Stone que pôs "uma arma na boca" do jornalista; o caso foi resolvido fora dos tribunais.

Em 2002, Marilyn Manson é processado pela mãe de uma mulher a quem alegadamente deu drogas, antes de a mesma morrer num acidente de carro. Mais uma vez, as partes chegam a acordo fora de tribunal.

Em 2009, numa altura em que ainda namorava com Evan Rachel Wood, o artista confessa à Spin que tem fantasias sobre "esmagar o seu crânio com um martelo". Estas declarações têm sido desvalorizadas pelos seus representantes ao longo dos anos; no final do ano passado, quando Marilyn Manson abandonou uma entrevista por lhe perguntarem sobre os boatos sobre abuso sexual que já então pairavam sobre ele, a sua equipa voltou a dizer que muitas das suas declarações são feitas pela personagem, e não pela pessoa.

Outros incidentes envolvendo Marilyn Manson, ou Brian Warner, o seu nome de batismo, envolvem ameaças a jornalistas, alegados comentários racistas e episódios de assédio sexual nas filmagens da série "House" e processos movidos por parte de dois seguranças de concertos, que o acusam de roçar a sua genitália nas suas cabeças.

Em 2018, as autoridades de Los Angeles revelam que não irão investigar acusações de crimes sexuais feitas contra Marilyn Manson, referentes ao ano de 2011. No documento, explica-se que os alegados crimes, que o artista nega veementemente, já prescreveram e que não há provas dos mesmos.

Nos últimos anos, Evan Rachel Wood referiu-se várias vezes, em entrevistas e no senado norte-americano, a uma relação abusiva na qual sofrera maus tratos, sem referir o nome do homem que os praticara. Em 2021, afirmou publicamente que o essa pessoa era Marilyn Manson, sendo corroborada por outras mulheres, que o acusam de abuso sexual, tortura e enclausuramento, e por um antigo assistente pessoal do músico.

O FBI poderá vir a investigar o caso; para já, Marilyn Manson já foi despedido da editora discográfica, da agência que o representava e será apagado de duas séries televisivas em que participara recentemente.

Curiosamente, em 2017 Marilyn Manson despediu o seu baixista de longa data, Twiggy Ramirez, acusado pela ex-namorada de violação. "Não queria aquela energia negativa na minha vida", justificou mais tarde. Verdade ou ficção?