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Ex-assistente pessoal de Marilyn Manson diz que o artista é culpado. E já o tinha alertado em setembro

"Nós, os que nos calamos, fazêmo-lo porque temos de ganhar a vida. Mas agora que vejo tanta gente a defendê-lo e a chamar mentirosas às pessoas que o acusam, cansei-me. Acreditem no que elas dizem, eu vi", escreveu o antigo colaborador de Marilyn Manson, num longo testemunho

É uma das notícias que estão a marcar a semana: as declarações da atriz Evan Rachel Wood, que acusa o antigo namorado, o músico Marilyn Manson, de abuso sexual.

Na sequência daquela alegação, outras mulheres partilharam relatos semelhantes e a editora Loma Vista anunciou que iria deixar de trabalhar com o artista norte-americano.

Por seu turno, Marilyn Manson referiu-se às alegações como "distorções da realidade".

Entretanto, Evan Rachel Wood recuperou um longo testemunho de Dan Cleary, que trabalhou como manager da banda de digressão de Marilyn Manson entre 2007 e 2008, altura em que a atriz já namorava com o músico.

Cleary escreveu esta mensagem em setembro do ano passado, explicando que, no período em que trabalhou com a banda de Marilyn Manson, Evan Rachel Wood andou sempre em digressão com o namorado.

"Ao longo de um ano, ele transformou-a numa pessoa diferente. Destruiu-a. Só mais tarde é que percebi ao certo o que se tinha passado", partilhou Dan Cleary.

"Mais tarde trabalhei como assistente pessoal de Marilyn Manson, em 2014/2015. Vi-o ser agressivo, repetidamente, com a sua namorada Lindsay. Durante esses quase dois anos vi-a muitas vezes em lágrimas, com ele aos berros e a rebaixá-la."

"Ameaçava matá-la, cortá-la, enterrá-la, envergonhá-la publicamente. Ele sentia-se bem ao fazê-la chorar e ter medo dele. Recordava-a que, sem ele, ela não teria casa e fazia pouco de um seu familiar que tinha dificuldades de aprendizagem."

O antigo colaborador de Marilyn Manson sublinha ainda que "toda a gente no círculo próximo" do músico conhece essas situações. "Mas toda a gente (incluindo eu) tem medo de dizer alguma coisa por causa do 'código'. Contar o que se passa na vida pessoal dos outros é mal visto."

"Nós, os que nos calamos, fazêmo-lo porque temos de ganhar a vida. Mas já chega. Os fãs dele vão ficar zangados e não vão acreditar. Percebo isso, mas é verdade."

Dan Cleary acrescenta ainda que também manteve o silêncio até agora porque, quando andava em digressão com Marilyn Manson em 2007, a equipa do músico lhe pagou a viagem para visitar a família, quando a sua madrasta morreu repentinamente, pagando-lhe o salário como se tivesse trabalhado durante essa semana. "Nunca esquecerei isso, teve muito significado para mim."

"Mas agora que vejo tanta gente a defendê-lo e a chamar mentirosas às pessoas que o acusam, cansei-me. Acreditem no que elas dizem, eu vi. Não tenho nada a ganhar com isto e tenho muito a perder. Ainda sou próximo de algumas pessoas da banda e da equipa dele e peço-lhes desculpa. Mas eles também sabem que eu tenho razão."

"[Manson] é um músico incrível e um homem muito inteligente e engraçado. Mas também é um toxicodependente que abusa mental e fisicamente dos outros, ao mesmo tempo que mostra ser capaz de ser muito bondoso e amoroso. É dificil de perceber", acrescenta o ex-assistente pessoal do norte-americano, esclarecendo que não defende que Manson seja "cancelado", mas sim que o público acredite nas mulheres que o acusam.

"O meu único objetivo é que não chamem mentirosas a estas mulheres. Elas não estão a mentir. Manson providenciou-me o meu sustento durante muito tempo e agradeço-lhe as oportunidades que me deu. Foi graças a ele que vi o mundo pela primeira vez. Isto não é fácil, mas tinha de o fazer."

Ontem, Dan Cleary escreveu no Twitter: "Vai ser um dia longo para alguém. Bem vos disse para acreditarem. Acreditem nas mulheres. Quantas mais [o denunciarem], mais força [terá a acusação]. Infelizmente são muitas."