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Shame

As mais belas canções do isolamento. Bem-vindos ao mundo dos Shame, a banda rock de que 2021 precisava

Entre os sonhos que o vocalista teve, após o fim de um namoro, e a angústia que há quase um ano acomete boa parte dos humanos nasceu “Drunk Tank Pink”, o belo segundo álbum dos ingleses Shame. É rock, é um pouco punk, é essencial

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Quando criou os Shame, Charlie Steen, vocalista da banda londrina, tinha 17 anos. Na escola que frequentava, os colegas não partilhavam os seus gostos musicais. Ainda que, ouvindo “Songs of Praise”, a estreia de 2018, e “Drunk Tank Pink”, agora editado, qualquer bússola aponte sobretudo para as temporadas punk e pós-punk, as preferências de Mr. Steen, sobretudo a nível lírico, são ainda mais clássicas. Quando lhe perguntamos quais os seus letristas favoritos, matuta: “Adoro o Shane MacGowan [dos Pogues], o Leonard Cohen e o Nick Cave. Há tantos: Peggy Lee com ‘Is That All There Is?’ ou ‘Hello Stranger’, da Barbara Lewis”, exemplifica, referindo-se a temas de 1969 e 1963, respetivamente. “Quando era miúdo, o primeiro músico em cujas letras reparei a sério talvez tenha sido o Bob Dylan”, acrescenta. “Os Velvet Underground e o Lou Reed também: têm pensamentos interessantes e palavras simples.”

Naturalmente, em meados da década passada, esta dieta musical não era comum aos seus colegas de liceu. “Os meus amigos não ouviam nada disso”, confirma, entre risos. “Eu até me sentia inseguro por gostar desse tipo de música. Eu também gostava de grime, mas sentia que o nosso tipo de música era visto, e provavelmente ainda é, como pouco fixe.” Ao fundar os Shame, Charlie Steen conheceu então pessoas que ouviam a mesma canção que ele: não só os companheiros de banda (os guitarristas Sean Coyle-Smith e Eddie Green, o baterista Charlie Forbes e o baixista Josh Finerty), como um grupo de artistas rock que gravitavam em torno do pub Windmill, em Brixton, Londres. “Quando conheci os Goat Girl, Happy Meal Ltd ou Sorry, senti que estava com as minhas pessoas.”