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Rita Carmo

Álvaro Covões: “Glastonbury é uma máquina de fazer barras de ouro, mas demora 4 meses a montar. Nós montamos o NOS Alive em 15 dias”

O homem forte do NOS Alive não vê o cancelamento do festival inglês de Glastonbury como um sinal de que a temporada festivaleira está perdida na Europa. À BLITZ diz tratar-se de “um festival familiar” onde a faceta do negócio não é a que fala mais alto. Mantendo cautelas, Covões acredita que a eficácia da vacina é algo a que outros festivais se poderão agarrar num contexto de reabertura

A edição de 2021 do festival britânico de Glastonbury foi oficialmente cancelada, na semana passada, mas Álvaro Covões, da promotora Everything is New e responsável pelo NOS Alive, não vê a notícia como um sinal de que a temporada de festivais de música esteja perdida na Europa.

"Glastonbury é um caso muito particular", defende em declarações à BLITZ, "é um festival familiar. Como esgota sempre, é uma máquina de fazer barras de ouro, portanto para eles fazer ou não é mais a emoção de fazer do que propriamente a questão do negócio, penso eu".

O diretor-geral da Everything is New diz também que há uma diferença fundamental entre Glastonbury e outros festivais: o tempo que leva a ser colocado de pé. "É um festival que demora quatro meses a montar. E é montado com voluntariado, as pessoas têm de ir viver todas juntas, durante quatro meses, no fim do mundo. É a mesma coisa que ir para a Serra da Estrela, para o meio do nada, e dormir em más condições".

"Eles, de facto, tinham de tomar decisões, porque para terem o festival em junho tinham de começar a fazer tudo quatro meses antes, ou seja, agora em fevereiro", acrescenta, "os outros festivais precisam de um mês ou 15 dias. Nós montamos o NOS Alive num mês, mas se tiver de montar em 15 dias, monto em 15 dias. Portanto, nós ainda temos tempo".

Covões disse também à BLITZ que, neste momento, os promotores de espetáculos portugueses estão a estudar, em conjunto com o Governo, com quem voltam a reunir no dia 3 de fevereiro, "a possibilidade da criação de bolhas [livres de covid-19] nos eventos", apesar de haver ainda uma grande indefinição no que diz respeito à realização dos festivais, que estão dependentes da imunidade de grupo e dos avanços na vacinação.

"Acreditando que a história se repete, depois da terceira vaga vem a bonança. E a vacina, como está a dar certo... Estes números de Israel são muito interessantes", conclui o promotor, referindo-se ao facto de em território israelita, onde já foi vacinada praticamente 30% da população, os resultados serem promissores. Um estudo concluiu que de 128.600 pessoas vacinadas, apenas 20 contraíram o vírus.