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Rita Carmo

Festivais. Álvaro Covões: “O que estamos a estudar é a possibilidade de criação de bolhas. Como se faz nos hospitais”

À BLITZ, o dirigente da APEFE e responsável máximo pelo NOS Alive, avisa que a indefinição em torno dos festivais em Portugal ainda é grande, mas aponta um caminho: eventos enquanto bolhas livres de covid-19, “desde que a ciência diga que é seguro”. “O hospital é uma bolha, as viagens também são bolhas”

Álvaro Covões, dirigente da APEFE (Associação de Promotores Espetáculos, Festivais e Eventos) e diretor-geral da Everything is New, disse à BLITZ que está a ser estudada "a possibilidade de criação de bolhas" livres de covid-19 em espetáculos de música, nomeadamente festivais.

"O que estamos a querer estudar é exatamente a possibilidade da criação de bolhas nos eventos, como se faz hoje nos hospitais", começa por dizer. "Para seres operado tens de ser testado e só entras no hospital depois de seres testado. As viagens também são bolhas. As pessoas, teoricamente, para entrar num avião têm de ser todas testadas e estarem negativas".

O responsável máximo da Everything is New aprofunda a questão, dizendo que as referidas bolhas, que só deverão ser implementadas com suporte científico, devem ser ainda "mais rigorosas do que as dos hospitais". "Nos hospitais, as pessoas que lá trabalham não são testadas todos os dias, vão do seu ambiente para o trabalho, portanto não tens garantias a 100%".

Na sequência de uma reunião dos promotores de espetáculos com o governo, no passado dia 16 de janeiro, o homem forte do NOS Alive explica que a estratégia que está a ser colocada em cima da mesa tem em vista a realização dos eventos mas que o evoluir da vacinação terá um papel preponderante. O empresário é cauteloso, sublinhando que neste momento ainda há uma grande indefinição no que diz respeito à realização dos festivais de música - "um cenário que as previsões estão a empurrar para a frente porque ainda ninguém percebeu [quando se atingirá] a imunidade de grupo e a vacinação [generalizada] da população".

Álvaro Covões afirma que as conversações que existem em Portugal com o Governo são semelhantes às que decorrem noutros países, como Espanha. "O governo espanhol está a trabalhar com uma consultora para as políticas de reabertura económica no pós-pandemia para que a coisa dê certo. Barcelona, por exemplo, esta muito concentrada nisto, tanto a autarquia como o governo autónomo [da Catalunha], porque em junho têm uma grande feira de eletrónica, têm o Sónar e o Primavera Sound e querem, absolutamente, estar a funcionar nessa altura, porque senão lixam mais um ano económico”.

"Nós estamos a trabalhar para o day after, obviamente, estamos a trabalhar em cenários para a retoma. Isso é que é o importante", diz Covões, "temos de planear. E, aliás, nós devíamos ser um exemplo para todos os setores de atividade, porque, que eu saiba, mais nenhum está a fazer este trabalho com o governo". Adverte, contudo, que apesar de ser positivo o que estão a fazer, ainda está tudo "muito no início".

Uma nova reunião está agendada para o próximo dia 3 de fevereiro, depois de a primeira ter juntado representantes da APEFE, da APSTE (Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos), da Aporfest (Associação Portuguesa de Festivais de Música) e da AEAPP (Associação Espetáculo - Agentes e Produtores Portugueses) com a Ministra da Cultura, Graça Fonseca e representantes da Secretaria de Estado do Turismo, da Secretaria de Estado da Saúde e da IGAC (Inspeção-Geral das Atividades Culturais).