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Pedro Gonçalves

Músico acusado de plágio em canção do Festival da Canção. “Não falamos de cópia, mas de semelhanças”, defende Pedro Gonçalves

Pouco tempo depois de ter sido divulgada, ‘Não Vou Ficar’, canção concorrente ao Festival da Canção 2021, viu-se envolta em polémica devido a alegadas semelhanças com ‘Guilty Conscience’, tema de 2020 de uma artista norte-americana. À BLITZ, Pedro Gonçalves, músico da Maia e autor da canção, nega plágio, mas admite parecenças. “Provavelmente existem mais 10 músicas no mundo com melodias e estruturas semelhantes”

Poucos dias depois de serem divulgadas as 20 canções que concorrem à edição deste ano do Festival da Canção, um dos participantes, Pedro Gonçalves, viu a sua canção tornar-se alvo de comentários nas redes sociais onde várias vezes se lê a palavra plágio.

Quem o acusa diz que ‘Não Vou Ficar’ é demasiado parecida com ‘Guilty Conscience’, single editado em 2020 pela rapper norte-americana 070 Shake, apesar de também outras canções serem mencionadas. Em declarações exclusivas à BLITZ, o cantor, que é também o autor da música e da letra de ‘Não Vou Ficar’, admite semelhanças, mas considera que é “algo exagerado” acusá-lo de plágio.

Gonçalves começa por dizer que “foi com surpresa que [deu] conta de alguns dos comentários ao [seu] tema na Internet”, explicando que “‘Não Vou Ficar’ era uma demo que estava na gaveta já há uns anos e era até a música que estava apontada para ser o primeiro single do meu álbum”.

“Ouvindo as duas músicas, é possível encontrar semelhanças. Mas assim como alguns comentários mencionam as semelhanças com o tema da 070 Shake, também é possível encontrar comentários indicando semelhanças em músicas como ‘Stand By Me’ do Ben E. King, ‘Blank Space’ da Taylor Swift e ‘Porta Aberta’ da Luka. Terá sido, então, plágio de todas essas músicas? Provavelmente existem mais 10 músicas no mundo com melodias e estruturas semelhantes”.

Defendendo que há semelhanças encontradas entre músicas, “principalmente no estilo mais pop”, quer em termos nacionais quer em termos internacionais, o músico diz-se “completamente tranquilo”. “Não irei ceder a ódio gratuito”, conclui, “comparando todas estas músicas, chega a ser até engraçado como, sem pensar, podemos chegar a ideias semelhantes”.

Leia, na íntegra, a resposta que fez chegar à BLITZ:

Foi com surpresa que dei conta de alguns dos comentários ao meu tema na Internet, os quais até achei caricatos, mencionando algumas semelhanças com temas de outros artistas, pois a “Não Vou Ficar” era uma demo que estava na minha gaveta já há uns anos e era até a música que estava apontada para ser o 1.º single do meu álbum. Quando o tema foi selecionado para o Festival, tanto eu como toda a gente que esteve no processo de trabalho, sabe como tudo foi finalizado de forma simples e natural. Eram ideias partilhadas e deitadas em cima da mesa para fazer tudo acontecer.

Ouvindo as duas músicas, é possível encontrar semelhanças. Mas assim como alguns comentários mencionam as semelhanças com o tema da 070 Shake, também é possível encontrar comentários indicando semelhanças em músicas como “Stand By Me” do Ben E. King, “Blank Space” da Taylor Swift e “Porta Aberta” da Luka. Terá sido, então, plágio de todas essas músicas? Provavelmente existem mais 10 músicas no mundo com melodias e estruturas semelhantes. Acusar a “Não Vou Ficar” de plágio é algo exagerado. Não estamos a falar de uma cópia, estamos a falar de semelhanças que foram encontradas, como aconteceu já com várias músicas, tanto nacional como internacionalmente. É um caso que acontece recorrentemente na música, principalmente no estilo mais Pop.

Hoje em dia, na internet, é óbvio que tudo é mais exposto. Numa pesquisa rápida pelo YouTube é possível encontrar várias compilações de músicas que são consideradas “plágio” quando são apenas estruturas e melodias aproximadas, dentro da estrutura Pop. Não quer dizer que tenham sido copiadas. O cérebro pode até ser traiçoeiro e inconscientemente lembrar coisas que já ouviu ou até mesmo ter as mesmas ideias que outras pessoas mas, neste caso – e apesar das semelhanças apontadas - o resultado final dos dois temas é completamente distinto e original.

Do meu lado, estou completamente tranquilo. Tanto do meu valor, como do meu trabalho, não irei ceder a ódio gratuito. Comparando todas estas músicas chega a ser até engraçado como, sem pensar, podemos chegar a ideias semelhantes. E a música é também isto. Para mim nunca foi nem será uma discussão.