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Joni Mitchell

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O fabuloso destino de Joni Mitchell, a mulher que nunca acreditou no destino

Perdida algures, há de existir uma bobina de fita magnética que, com sorte, deverá ter escrito qualquer coisa como “Joni Mitchell – guitarra/voz; Jimi Hendrix – técnico de som”. Se, por sorte, tropeçarem nela, têm um tesouro nas mãos. “Archives – Volume 1: The Early Years 1963-1967” parte à descoberta dos primeiros passos de Joni Mitchell, antes da publicação do primeiro álbum. Também é um tesouro

Perdida algures no grande mundo, há de existir uma bobina de fita magnética que, com sorte e para mais fácil identificação, deverá ter escrito qualquer coisa como “Joni Mitchell — guitarra/voz; Jimi Hendrix — técnico de som”. Se, por sorte, tropeçarem nela, têm um tesouro nas mãos. Data de março de 1968 e foi registada em Ottawa, no clube Le Hibou. A Jimi Hendrix Experience atuava no Capitol Theatre e, após o concerto, Jimi, com um enorme gravador nos braços, foi ter com Joni ao Hibou e pediu-lhe autorização para a gravar. De regresso ao hotel onde ambos estavam alojados, e fugindo de quarto em quarto devido aos protestos por excesso de ruído, acabaram por conseguir ouvi-la. Uma única vez. Dias depois, gravador e fita seriam roubados para nunca mais voltarem a aparecer. Exatamente igual poderia ter sido o destino de uma outra fita gravada, em 1963, por Barry Bowman, DJ da CFQC, uma rádio de Saskatoon, cidade para a qual, Joni, aos 11 anos, se havia mudado com os pais. Roberta Joan Anderson ainda não tinha sequer posto o pé dentro de um clube folk nem entrara no Alberta College of Art, mas, com 20 anos, aceitou o convite de Bowman e cantou algumas canções do reportório tradicional — ‘House Of The Rising Sun’, ‘John Hardy’, ‘Copper Kettle’, ‘Molly Malone’, ‘Fare Thee Well’... — que fora aprendendo enquanto estudava guitarra. Só meio século mais tarde, uma filha de Bowman, ao remexer um contentor repleto de velhas cassetes e bobinas, lhe fez chegar duas delas com a etiqueta “Joan Anderson audition tapes”. Seria o ponto de partida para “Archives — Volume 1: The Early Years 1963 — 1967”, recolha em 5 CD organizada cronologicamente, de gravações ao vivo, programas de televisão e rádio e demos domésticas, todas anteriores à publicação do primeiro álbum (“Song To A Seagull”, 1968).

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