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Rita Carmo

Tim (Xutos & Pontapés): “A rádio devia passar música feita em Portugal mesmo indo contra as ordens do chefe”

Tim, vocalista dos Xutos & Pontapés, pronuncia-se de forma assertiva sobre a polémica causada pela nova quota da música portuguesa nas rádios. “Declaração de princípio: sou músico e sou português; peço que passem na rádio e televisão 75% de música feita em Portugal”

Tim, vocalista dos Xutos & Pontapés, partilhou uma longa mensagem no Facebook, na qual pede às rádios e televisões que passem 75% de música feita em Portugal.

A propósito da polémica causada pela mudança na quota de música portuguesa nas rádios (de 25% para 30%), escreve Tim: “A lei da rádio obriga a passagem de 25% de música portuguesa e agora vai subir para 30%, o que está a incomodar os radialistas que se sentem limitados na sua liberdade de programação. Declaração de princípio: sou músico e sou português; peço que passem na rádio e televisão 75% de música feita em Portugal (música feita em Portugal não é música de expressão portuguesa). Se a rádio passasse muito mais música feita em Portugal não seria necessário impor quotas”.

“Sei que há 40 anos a justificação era a de não haver produção suficiente em qualidade e quantidade. Hoje somos muitos, de todas as áreas, estudámos, dedicámo-nos, partimos as costas pelo país todo e arredores para que a nossa música fosse ouvida e apreciada e foi!”, defende Tim, falando do sucesso de concertos, grandes e mais pequenos, por todo o país. “Andamos todos enganados porque o público da rádio não é isso que gosta de ouvir. Não é?”

Tim fala ainda sobre o dinheiro entregue pelas rádios às sociedades gestoras de direitos (“Se as rádios passam 75% de música que não é produzida cá, as sociedades gestoras têm de entregar 75% aos artistas de fora, lá se vai o nosso guito embora”) e remata: “Por fim, solidariedade e respeito. Se passassem 75% de música feita em Portugal estavam a mostrar respeito pelo nosso trabalho. Se passassem 75% de música feita em Portugal os autores e intérpetres receberiam o triplo do que recebem agora; muitos mais teriam acesso a esses rendimentos e a proteção social, muitos mais teriam a oportunidade de ser ouvidos e apreciados, para o bem e para o mal. Assim, num tempo tão difícil para nós, músicos portugueses sem trabalho, a malta da rádio por solidariedade devia passar música feita em Portugal sempre que pudesse, mesmo indo contra as ordens do chefe. Assim sim, estaríamos juntos neste tempo tão difícil”.

Leia aqui a mensagem de Tim: