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Primeira formação dos Xutos & Pontapés: Zé Leonel, Tim, Zé Pedro e Kalú

Arquivo Gesco

Há 42 anos, os Xutos & Pontapés davam o primeiro concerto: 4 músicas em 5 minutos. “O que é que aconteceu?”

Os Xutos & Pontapés assinalaram o seu 42º aniversário, que se celebra esta quarta-feira. A BLITZ recorda o concerto-relâmpago de 13 de janeiro de 1979, pelas palavras do saudoso Zé Pedro. “Foi fabuloso. Um gajo sai lá de cima e pergunta-se: 'o que é que aconteceu?'. Tinha acontecido a nossa estreia”

13 de janeiro é oficialmente o aniversário dos Xutos & Pontapés. Foi neste dia, há 42 anos, que a banda deu o seu primeiro concerto de sempre, na sala Alunos de Apolo, em Lisboa.

Nas redes sociais, os Xutos & Pontapés recordam a ocasião: "Hoje fazemos 42 anos de Xutos! A 13 de janeiro de 1979 no salão de baile dos Alunos de Apolo, em Lisboa, às 3h00 da manhã tocámos quatro músicas em pouco mais de cinco minutos. Obrigado por estarem sempre desse lado."

Em 2016, Zé Pedro dava à BLITZ uma entrevista de vida, na qual recordava esse mesmo concerto "relâmpago". Recorde aqui as suas palavras (e o vídeo, abaixo).

"Os Faíscas acabavam nesse dia. Então o Pedro Ayres fazia questão que estivéssemos lá. Nós bebíamos absinto juntos e, certa vez, assinámos um contrato de fidelidade com sangue; picámo-nos com um alfinete e escrevemos, em mortalhas, que havíamos de nos proteger um ao outro e de construir isto e aquilo... Então ele insistiu: 'tem de ser a tua banda'. O Kalú tinha entrado para a tropa, já tinha surgido o Tim, tínhamos as coisas muito coladas a cuspo... Claro que na altura tomávamos [comprimidos] Fringanor, andávamos sempre a uma velocidade maluca. Lá fomos para o concerto, e eu disse: 'eu dou as entradas e as saídas'. Como o Chuck Berry: 'eu entro e saio e vocês acompanham-me'. Mas com os «fringanores» e a adrenalina de estar em palco, eu cortava as músicas a arrasar. 'Bora, já chega!'. Daí as quatro músicas em seis minutos. Entrámos e saímos, ninguém percebeu nada do que se tinha passado ali. Não tivemos assobiadelas, também não tivemos palmas, mas saímos dali a pensar que éramos a maior banda. 'Isto vai estourar!'. No dia seguinte, na rádio, disseram: 'apareceu lá uma banda semi-punk, ninguém percebeu o que era', porque o Zé Leonel saltava para o meio do público, não se percebeu sequer o que cantou. Foi fabuloso. Um gajo sai lá de cima e pergunta-se: 'o que é que aconteceu?'. Tinha acontecido a nossa estreia".