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Adolfo Luxúria Canibal fotografado em dezembro de 2019

Rui Duarte Silva

Dito em 2020. Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta): “Não tenho fé na Cultura enquanto a ministra lá estiver. O país, para ela, é paisagem”

Em 2020, a BLITZ chegou à fala com numerosas figuras da música. Em setembro, após a atuação dos Mão Morta na Festa do Avante, Adolfo Luxúria Canibal deixou fortes críticas à política cultural do ministério de Graça Fonseca, que acusa de desconhecimento do setor em tempos de pandemia

Em Setembro de 2020, poucos minutos depois de os Mão Morta terminarem a sua atuação na Festa do Avante, o vocalista Adolfo Luxúria Canibal falava à BLITZ sobre as consequências da pandemia na cultura em Portugal.

Para o músico, os problemas do sector ficaram mais “expostos” graças à covid-19, mas são “estruturais” e estão há demasiado tempo sem resposta. “Não se percebe porque é que não há um estatuto profissional específico para os intermitentes do espectáculo. Não são só os músicos. São os técnicos, cineastas, atores de teatro…”.

O artista apontou o dedo à máquina burocrática do Estado. “Como é que alguém que passa temporadas sem trabalhar, e portanto sem rendimentos, tem de estar a pagar a contribuição fixa da Segurança Social, quando não tem sequer dinheiro para comer?”. Adolfo foi claro: estes são “problemas técnicos de falta de estatuto”.

Subir o orçamento da Cultura é importante, mas mais importante, defendeu, é existir “organização” e capacidade para resolver as dificuldades das pessoas que trabalhem na área. “Não tenho fé nenhuma enquanto a ministra [Graça Fonseca] lá estiver. Não percebe nada do sector e o país, para ela, é paisagem, [acredita que] não há agentes culturais fora de Lisboa, não há nada. Enquanto ela não sair, não estou a ver nada de substancial a ser alterado”, concluiu.