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Amália Rodrigues de carne e osso, nos anos 70

Dois discos de “Ensaios”, no início dos anos 70, mostram o processo criativo de uma Amália no seu auge e provam a sua capacidade vocal e intuitiva de uma forma inédita

Alexandra Carita

É o trabalho árduo que Amália e os seus homens realizavam que estes “Ensaios” nos dão a conhecer. Objetivo: chegar à perfeição ou, pelo menos, elevar a fasquia ao máximo sem olhar ao que isso implica. Em estúdio, na Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, no disco 1, e na sala da famosa casa da Rua de São Bento, em Lisboa, no disco 2, Fontes Rocha, Carlos Gonçalves, Pedro Leal e Joel Pina tocam para uma Amália no auge do seu talento vocal, ouve-se o piano do compositor francês Alain Oulman, que toca muito e canta também. Estão presentes Rui Valentim de Carvalho, Ary dos Santos e talvez mais pessoas. As conversas de fundo dão sempre lugar ao silêncio para ouvir a voz da diva. Aqui, porém, há segredos.

“Vá! Com graça.” A voz é a de Amália a incitar todos a avançarem em força. A alegria é a estrela desta festa que representa cada ensaio. O tema, ‘Nunca Ninguém Viu Ninguém’, poema de Cecília Meireles musicado por Alain Oulman, como de resto todos os poemas que este duplo CD apresenta, está na boca de toda a gente lá em casa. Euforia, palmas, risos, o ambiente adensado por todas as características da familiaridade e do respeito. As letras a serem decoradas, o tom a ser acertado. E nós, sorrateiramente, entramos sala adentro. A troca de ideias a fazer-se ali, aos nossos ouvidos.