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Sérgio Godinho no Coliseu dos Recreios, Lisboa

Rita Carmo

Os sonhos de Sérgio Godinho são feitos de liberdade. “É uma ânsia que me atravessou a vida inteira”

Em julho de 2018, Sérgio Godinho colmatou “uma lacuna no prazer”: dar um concerto (ou quatro) com uma orquestra sinfónica. O disco ao vivo com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, no São Luiz, está aí. “Há muitas prisões, eu não vou dizer que não caí em algumas. Mas há também uma ânsia — eu tenho uma ânsia de liberdade que me atravessou a vida inteira”, afirma em entrevista ao Expresso

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Apesar da longa e aplaudida discografia, Sérgio Godinho considera-se uma criatura de palco. É lá que sente a energia do público, a música a crescer, o seu universo artístico a expandir-se. Não será por acaso, de resto, que “Ao Vivo no São Luiz”, o disco gravado naquele teatro da capital com a Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida por Cesário Costa, é já o sexto álbum ao vivo do escritor de canções português, sucedendo a títulos tão apreciados como “Noites Passadas”, de 1995, ou “Nove e Meia no Maria Matos”, de 2008. No verão de 2018, o autor de ‘Só Neste País’ pôde colmatar aquilo a que chama uma “lacuna no prazer” e atuar pela primeira vez com uma orquestra sinfónica. A química com os músicos da Metropolitana de Lisboa, e mais tarde com os espectadores dos quatro espetáculos, foi imediata e palpável. “Sentimos logo que estava a ser especial, de certa forma irrepetível. Bem, foi irrepetível quatro vezes”, ri-se o autor, numa entrevista por telefone. “Acho que é no palco que as coisas acontecem. Onde se mostra, onde se pratica, onde há a reação do público: o que eles nos mandam a nós, o que nós mandamos para fora. É aí que a canção se consuma”, ilustra. “Sempre fui uma pessoa de palco. Tive também aquela pré-educação no musical ‘Hair’, [em cujo elenco estive] dois anos [no final dos anos 60], o que me deu uma certa familiaridade com os palcos, com as tábuas.”

Satisfeito com o carácter “coeso e consistente” das gravações, Sérgio Godinho quis editar este espetáculo por entender que o mesmo “engloba várias vertentes” da sua obra, a saber: “o trabalho com os Assessores [a banda que o vem acompanhando nos últimos anos], que estão menos presentes neste álbum, mas estão lá; o Filipe Raposo, que já trabalhou muito comigo nos concertos de piano e voz, não só é um magnífico pianista como fez as belíssimas orquestrações para a Metropolitana”, e o próprio São Luiz, sala que lhe lançou o convite e com a qual vive uma história de amor pelo menos desde 1974. Mas já lá vamos.