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Rita Carmo

Tozé Brito: “Gift, Silence 4 ou Blind Zero nunca saíram daqui. Não se fura no estrangeiro a cantar em inglês”

“Não quero ser agressivo, mas é aquele inglês de liceu. Mostrava as letras a ingleses e eles diziam-me: 'não é assim que se pensa, não é assim que se diz'”. As “ilusões” de internacionalização das bandas portuguesas vistas por Tozé Brito em entrevista a Rui Unas

Tozé Brito falou sobre as "ilusões" de internacionalização das bandas portuguesas que escolheram cantar e escrever canções em inglês. Em entrevista a Rui Unas no programa Maluco Beleza, o músico e administrador da Sociedade Portuguesa de Autores, que trabalhou também em grandes editoras, começou por dizer: "recusei muitos projetos que me chegavam em inglês".

“O grande erro dos grupos que cantavam em inglês era pensarem que queriam exportar. Ainda hoje lhes digo: vejam as boas bandas que cantaram em inglês. Os Silence 4, os Gift, os Blind Zero nunca saíram daqui", defende Tozé Brito, "são excelentes bandas. Todos com aquela ilusão que um dia iam conseguir furar. Não se fura a cantar em inglês".

O músico acrescenta também que os artistas portugueses que conseguiram ter sucesso no estrangeiro abraçaram todos o português. "Quem é que fura? Furam os Madredeus, fura a Mariza, fura a Dulce Pontes, fura a Ana Moura. Todos a cantar em português, portanto está mais do que provado que não é a cantar em inglês... A não ser que vivas em Inglaterra ou nos Estados Unidos, que tenhas ido para lá em criança: o teu inglês torna-se o deles".

"Vamos ler as letras destas bandas... Não quero ser polémico nem agressivo, mas é aquele inglês correto de liceu, de quem aprendeu", conclui, "os ingleses não dizem as coisas assim, por muito que a gente queira. Tinha muitas vezes essas discussões quando estava na indústria. Mostrava as letras a pessoas inglesas e elas diziam ‘está correto, mas não é assim que se pensa, não é assim que se diz, em inglês isto seria dito de outra forma’. Isso escapa-nos”.