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João Carvalho (Festival Paredes de Coura), Manifestação APEFE - Campo Pequeno, Lisboa - 21.11.20

Rita Carmo

João Carvalho (Vodafone Paredes de Coura): “A maioria olha para nós [organizadores de festivais] como máquinas de fazer dinheiro. É mentira”

“Esgotamos hotéis, enchemos restaurantes, mexemos com a economia, seja longe dos grandes centros, seja nas principais cidades. Esta tragédia económica do sector tem de ser estancada, e já”, defende o organizador do festival de Paredes de Coura

João Carvalho, organizador do festival Vodafone Paredes de Coura, esteve esta sábado na "Manifestação pela Cultura", no Campo Pequeno, em Lisboa, e defendeu que a "tragédia económica do setor", devido à pandemia de covid-19, "tem de ser estancada, e já".

Falando especificamente sobre os festivais de música numa publicação partilhada nas redes sociais, mostra-se impaciente "com as dificuldades do presente e a incerteza do futuro". "Falando dos festivais, são eventos que pelo mediatismo que tem, a maioria olha para nós como máquinas de fazer dinheiro, eventos que levam multidões e geram milhões. É Mentira".

"Tenho a certeza que qualquer promotor presente hoje no Campo Pequeno já lidou de perto com a possibilidade de falência. E nunca fomos bater à porta do estado", acrescenta, "trincamos a bala, endividamo-nos e seguimos em frente arriscando e esperando anos melhores, fazendo pela cultura o que outros com obrigações não fizeram".

Esclarecendo que todos compreendem que a covid-19 é "uma doença que apareceu sem manual de instruções" e que por isso têm sido "pacientes" e "dado o benefício da dúvida", João Carvalho defende que "a cultura foi esquecida, está a sangrar. E um país sem cultura é um país sem identidade".

"Há milhares de pessoas que dependem da cultura para sobreviver, há centenas de empresas perto de falirem. Há fome, há um cortejo de miséria que grassa a vida de muitos trabalhadores do sector que não conseguem pagar as despesas que lhes garantam o mínimo da dignidade humana". Leia o texto na íntegra