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Rita Carmo

“Beyoncé não, eu quero Joacine/Pan-Africano ao máximo/Dom José foi pior que Stalin”. A nova 'bomba' de Valete

Valete aproveitou um confinamento autoimposto para gravar cinco temas novos. Os protestos após a morte de George Floyd foram uma das inspirações dos cinco temas novos que agora apresenta

Valete lança esta sexta-feira, 20 de novembro, cinco temas originais, lançados após um confinamento autoimposto, no passado verão.

O próprio músico explica:

“Foram cinco as semanas em que estive confinado entre os meses de junho e julho. Um confinamento aut-imposto depois do confinamento nacional. Tinha um negócio no mercado do airbnb que faliu, fiquei sem concertos e vi muita gente à minha volta desesperada, no meio da guerra pandémica e com a brusca quebra de rendimentos. Essas semanas também coincidiram com o pós-morte de George Floyd e todos os protestos e debates que foram gerados em torno do acontecimento. Deu para sentir de tudo nesse período. Medo, revolta, impotência, mas também calma e esperança resultantes de longos momentos de reflexão. Quis pôr todas essas sensações nos cinco temas que criei nessas cinco semanas. Nunca tinha criado dessa forma. Cada tema reflete exactamente o que estava a sentir em cada momento. Cinco semanas, cinco temas. Cinco emoções, cinco temas.”

Os temas têm por títulos 'Olimpo' (com participação de Phoenix RDC e Virgul); Viaja (com Lila e Phoenix RDC); Indústria dos Sonhos; Rua do Poço dos Negros (com Dino d'Santiago e Sérgio Mota) e e Ilha de Honshu (com X-Tense).

A letra de 'Rua do Poço dos Negros' já está a causar algum debate online - pode lê-la aqui, depois do vídeo:

“Preto como Jesus

Preto como a deusa que me deu à luz
Eu sou preto como Jesus
Querem tirar a intervenção e o boom bap
Como os media querem tirar pretos da história do pap

Tutorial de racismo estrutural
Diz-me, quantos George Floyds já tivemos em Portugal?
PSP é como a jihad no Cairo
Têm mais cadastro que qualquer bairro

Se caem as estátuas dos escravocratas
Consegues dizer quantas estátuas ficarão intactas?
Justiça , nem que seja no ringue
Deixa os sonhos para o Luther King

Fim da escassez do rap frontal
Sou preto como Marquês de Pombal
Como o som no meu texto
Preto como Dom João sexto

Nosso povo ainda está na cruz
Sou Preto como a minha luz
Preto como Jesus
Preto

Alguns pretos dizem que não gostam de pretas
Acham que é uma questão de preferência
Mente cheia de grilhetas
Neo-escravos , claro, só servem para a subserviência

Não vamos fingir que agora é só progressistas
Interessados em salvar os negros do linchamento
Não vamos fingir que são todos humanistas
E que o André é o único fascista no parlamento

Kanye não mano, é Rakim
Beyoncé não, eu quero Joacine
Pan-Africano ao máximo
Dom José foi pior que Stalin

Kanye não mano, é Rakim
Beyoncé não, eu quero Joacine
Pan-Africano ao máximo
Maria I foi pior que Stalin

Nosso povo ainda está na cruz
Sou preto como a minha luz
Preto como Jesus
Preto

Preto como os donos do petróleo
Preto como o saque do nosso espólio
Preto como a falta de argúcia no nosso crânio
Preto como o Mar Mediterrâneo

Preto como as religiões impostas
Preto como as chibatadas nas costas
Preto como o Holocausto negro no anonimato
Preto como o filho do estupro que nasceu mulato”

Veja aqui as outras canções novas de Valete.

Olimpo:

Viaja:

Indústria dos Sonhos:

Ilha de Honshu: