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Rita Carmo

“Acabamos com os festivais e os concertos? Sem apoios concretos, o fim está próximo”. O manifesto da APEFE

“É preciso responder ao seguinte: fechamos auditórios, salas de espectáculos, teatros?”, pode ler-se num manifesto divulgado esta quarta-feira pela Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE), no qual se propõe uma série de medidas para impedir o colapso da cultura em Portugal

A APEFE (Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos) divulgou esta quarta-feira um comunicado intitulado “Quem assume a decisão de acabar com a cultura? Um manifesto pela sobrevivência da cultura em Portugal”.

Neste texto, assinado pela direção da APEFE - da qual fazem parte os promotores de espetáculos Sandra Faria (Força de Produção), Álvaro Covões (Everthing Is New), Paulo Reis (UAU), Luís Pardelha (Produtores Associados) e Ana Rangel (Plano 6) - afirma-se que “a cultura em Portugal está a colapsar” e que é chegada a hora de “os decisores políticos dizerem o que querem para Portugal no que respeita à Cultura”.

“É chegado o momento de nos dizerem, a todos nós, os 130 mil trabalhadores deste país, se somos merecedores de um tratamento e de um olhar em detalhe para o nosso setor”, escreve-se.

Lembrando que o mercado dos eventos culturais registou, entre janeiro e outubro deste ano e devido à pandemia de covid-19, uma quebra de 87% face a 2019, a APEFE estima que, com as medidas das últimas semanas ou um novo confinamento, esta quebra possa chegar aos 90%.

“É preciso responder ao seguinte: fechamos auditórios, salas de espectáculos, teatros? Vale a pena manter as galerias e promover exposições? Para que serve afinal um centro cultural ou um teatro? E os festivais de cinema e as salas de projeção de filmes? O que dizer das livrarias? Acabamos com os festivais e com os concertos? E o que dizer de toda a cadeia de valor associada às atividades artísticas e culturais? E os cruzamentos com os outros setores da economia?”, pergunta-se.

“Sem apoios concretos (...), o fim está próximo. Infelizmente para muitos, o fim já chegou”, lamenta-se. “O 25 de Abril para o país foi há mais de 45 anos, para a Cultura tem urgentemente de ser agora! Quem assume a decisão de acabar com o setor cultural em Portugal?”.

Algumas das propostas da APEFE para combater a crise provocada pela covid-19, evitando o aumento de desempregados, evitando falências e insolvências e travando mudanças de profissão com a perda de competências:

“1- Reclamamos um apoio a fundo perdido da 'Bazuca Europeia' correspondente a 20% da quebra de facturação das empresas e a 40% no rendimento de artistas, técnicos e profissionais dos espetáculos, vulgo 'intermitentes'. Valor este a ser pago em duodécimos, de janeiro a dezembro de 2021.

2 - Reclamamos o adiamento, por mais um ano, das moratórias e dos créditos empresariais até setembro de 2022.

3 - O acesso a linhas de crédito com carência de capital por um ano e meio e máximo 1% de spread e comissões bancárias incluídas.

4 - Reclamamos que não afastem o público, sabendo que todos os espetáculos ao vivo são realizados de acordo com a regras sanitárias.”