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Porque é que o nosso cérebro prefere ouvir a música da nossa juventude? A ciência responde

Ouvir e compreender música não é tão fácil como parece: é uma carga de trabalhos para o nosso cérebro

Um dos editores da Pitchfork, Jeremy D. Larson, procurou explicar o porquê de termos mais dificuldade em escutar música nova assim que ultrapassamos uma certa idade.

Escreve Larson que existe uma "explicação psicológica" para este fenómeno, o de existir sempre da nossa parte maior facilidade em ouvir a música com a qual estamos já familiarizados. A resposta está, evidentemente, no cérebro.

O nosso cérebro vão-se alterando à medida que reconhecem novos padrões, e no que concerne à música, existe uma rede de nervos no córtex auditivo - o sistema corticofugal - que nos ajuda a catalogar os padrões musicais.

Quando um som específico é mapeado em um padrão, o cérebro emite uma quantidade correspondente de dopamina, elemento químico que está na origem das nossas emoções mais intensas.

Quer isto dizer que quando o cérebro regista um coro específico em uma canção, liberta a quantidade certa de dopamina, o que com o tempo vai sendo padronizado.

Larson cita também o livro "Proust Was a Neuroscientist", que explica como a alegria da música está na forma como as canções "brincam" com os padrões no nosso cérebro, ajudando à libertação de dopamina - um método neurocientífico que está também na base da música pop.

Se escutamos algo que não tenha sido previamente mapeado pelo cérebro, o sistema corticofugal ressente-se, provocando uma libertação de dopamina maior - e, não existindo padrões prévios, isso pode provocar sensações de repulsa.