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Irvine Welsh, autor de “Trainspotting”: “Se nos anos 90 houvesse redes sociais, eu teria sido cancelado”

Irvine Welsh, autor do livro “Trainspotting” que deu origem ao filme do mesmo nome, compara as sensibilidades atuais com as dos anos 90

Irvine Welsh partilhou a sua opinião sobre a “cancel culture”, fenómeno pelo qual certas figuras públicas são votadas ao esquecimento, depois de se envolverem em comportamentos censuráveis ou proferirem declarações problemáticas.

“Quando as pessoas cancelam os bullies com opiniões questionáveis, que são arruaceiros, é ótimo. Por outro lado, quando vemos pessoas normais a perder o seu emprego por alguma coisa que se calhar disseram no calor do momento, isso já tem um elemento de '1984'”, diz, referindo-se ao romance de George Orwell.

Para Irvine Welsh, autor do livro “Trainspotting”, que deu origem ao filme do mesmo nome, este fenómeno agravou-se com a pandemia de covid-19. “As pessoas fazem queixinhas dos vizinhos e dos supostos amigos. Isto não está a trazer ao de cima o melhor nas pessoas”, acredita o escritor. “As pessoas estão tão zangadas que querem ter alguém para culpar. Mas não há ninguém para culpar”.

Irvine Welsh acredita que, nos anos 90, havia mais liberdade. “Se houvesse redes sociais nos anos 90, eu teria sido cancelado, sem dúvida”.