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Rita Carmo

Álvaro Covões: “Ninguém nos pára. Só queremos trabalhar. A vida sem a música não seria a mesma”

"The show must go on”, afirma o promotor de espetáculos numa mensagem publicada aquando da entrada do estado de emergência em 121 concelhos e numa altura em que a Ministra da Cultura apela a que se assista a espetáculos

Álvaro Covões, diretor-geral da Everything Is New e membro da direção da APEFE (Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos), escreveu nas redes sociais uma mensagem de força e esperança quanto ao futuro da música ao vivo.

No momento em que entrou em vigor o recolher obrigatório em contexto de pandemia (das 23h às 5h durante a semana e das 13h às 5h ao fim de semana), Álvaro Covões afirma:

"Nós na Cultura somos resilientes. Ninguém nos pára. Adaptamo-nos as circunstâncias e não desistimos. Muitos de nós estão a passar sérias dificuldades, mas todos juntos vamos superar esta adversidade. Só queremos trabalhar, deixem-nos trabalhar em segurança. A vida sem a música não seria a mesma. The show must go on. Apoiem a cultura, vão a espectáculos e a museus".

Recorde-se que na sequência das novas medidas anunciadas pelo Governo para controlar a pandemia de covid-19, os concertos marcados para sábado ou domingo só poderão realizar-se da parte da manhã, nos 121 concelhos abrangidos pelas medidas de restrição.

Esta segunda-feira, à BLITZ, Luís Pardelha, diretor da APEFE, considerou que estas limitações são "um grande constrangimento. Estamos a viver um momento já por si de exceção e continuamos a ter más notícias que não ajudam em nada. Imagine-se fazer espetáculos de um artista rock ou pop às 10h ou 11h - culturalmente, não parece muito normal. Não quer dizer que esteja errado, porque até pode ser interessante, mas não estamos num momento em que seja fácil transmitir essa confiança às pessoas, muito menos fazê-las sair de casa, para assistir a um espetáculo às 11h da manhã, coisa que nunca aconteceu".

Entretanto, a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, apelou "a todas as pessoas" para que continuem a ir a espetáculos, destacando o esforço dos profissionais do setor na adaptação às medidas para tentar conter a pandemia da covid-19.

"Deixo um apelo a todas as pessoas, cidadãos, que continuemos todos, na medida que conseguirmos, a ir ao teatro, ao cinema, a um espetáculo de música, a uma biblioteca", afirmou Graça Fonseca, no parlamento, lembrando que "Portugal é um dos poucos países da Europa que mantém equipamentos culturais abertos".

Graça Fonseca destacou ainda que "os profissionais da Cultura têm sido extraordinários" na adaptação às medidas aprovadas pelo Governo para tentar conter a pandemia de covid-19, refere a Lusa.

A ministra salientou que, "no espaço de 24 horas, centenas de salas anteciparam horários e não encerraram", em referência à limitação de horários de funcionamento, até às 22h30, para os equipamentos culturais, iniciada há uma semana, e ao recolher obrigatório, a partir desta segunda-feira e até 23 de novembro, nos 121 municípios mais afetados pela pandemia.

"Devemos, como cidadãos, dar resposta a este esforço de todos. É isso que também vai ajudar cada uma das pessoas que estão lá fora a manifestar-se", afirmou a ministra, numa referência à concentração, convocada para a porta do Parlamento.

Enquanto a ministra da Cultura era ouvida dentro da Assembleia da República, no exterior cerca de uma centena de profissionais da cultura protestavam contra a falta de apoios, e exigiam 1% do Orçamento do Estado para o setor.