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Rita Carmo

Concertos não podem realizar-se durante o período de recolher obrigatório, nomeadamente ao fim de semana

Segundo a informação de que a APEFE dispõe, e na sequência das novas medidas do Governo para controlar a pandemia, ao fim de semana os concertos só poderão realizar-se até às 13h, nos 121 concelhos abrangidos pelas restrições. Álvaro Covões, da Everything is New, afirma: "Nós vamos todos morrer, mas vamos morrer de pé"

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Na sequência das novas medidas anunciadas pelo Governo para controlar a pandemia de covid-19, e que obrigam ao recolher obrigatório entre as 23h e as 5h durante a semana e das 13h às 5h ao fim de semana, os concertos marcados para sábado ou domingo só poderão realizar-se da parte da manhã, nos 121 concelhos abrangidos pelas medidas de restrição.

À BLITZ, Luís Pardelha, diretor da APEFE (Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos), lembra que, nesses 121 concelhos, os espetáculos "de segunda a sexta-feira podem acontecer" em horário noturno, se terminarem até às 22h30. "Ao fim de semana, os concertos têm de acabar até às 13h", explica o responsável, lembrando que "nos concelhos que não estão abrangidos por estas medidas não existem estas restrições", por não existir recolher obrigatório.

Luís Pardelha admite que esta limitação "provoca naturais constrangimentos. Fazer espetáculos ao fim de semana de manhã, excetuando no mercado mais infantil ou juvenil, não é propriamente uma tradição. Mas posso dizer, por exemplo, que a Sandra Faria, que é presidente da APEFE, já decidiu passar os espetáculos de sábado e domingo da Avenida Q, no Maria Matos [em Lisboa], para as 10h. Como vai correr não sabemos, mas é a única forma de fazer esses espetáculos ao fim de semana".

"Estamos a falar de um constrangimento grande. Estamos a viver um momento já por si de exceção e continuamos a ter más notícias que não ajudam em nada. Imagine-se fazer espetáculos de um artista rock ou pop às 10h ou 11h - culturalmente, não parece muito normal. Não quer dizer que esteja errado, porque até pode ser interessante, mas não estamos num momento em que seja fácil transmitir essa confiança às pessoas, muito menos fazê-las sair de casa, para assistir a um espetáculo às 11h da manhã, coisa que nunca aconteceu", afirma Luís Pardelha.

O diretor da APEFE garante que a mesma "não é alheia" ao "momento complicado a nível de números [de infetados com covid-19]", mas que "esta limitação dos concertos ao fim de semana nestes concelhos vai trazer constrangimentos muito grandes à maior parte dos promotores, incluindo privados e câmaras municipais, que também têm programação nos teatros municipais".

Entretanto, Álvaro Covões, diretor da Everything Is New, afirmou sobre este tema, ao Jornal de Notícias: "Nós vamos todos morrer, mas vamos morrer de pé, porque temos uma resiliência extraordinária. Mas fomos o setor mais afetado de todos. Toda a gente sabe que o setor cultural, os museus e os teatros vivem do fim de semana e agora vão ficar sem público", acredita o empresário.

Para Rui Galveias, do Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, Audiovisual e Músicos, a limitação de circulação ao fim de semana é "mais um prego no caixão" do setor da cultura, que já se encontra numa "situação dramática", disse o dirigente ao Correio da Manhã.