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Manuela Azevedo, dos Clã

Manuela Azevedo (Clã): “É urgente, de uma vez por todas, regulamentar o Estatuto dos Trabalhadores Intermitentes”

A voz dos Clã reclama a proteção de um trabalhador fulcral da área do espetáculo, aquele que é contratado apenas durante um determinado período para desempenhar uma função pouco duradoura e precária. À BLITZ, falando sobre os impactos da pandemia na vida dos músicos, Manuela Azevedo defende a importância de oferecer a estes trabalhadores “um mínimo de garantias e apoios em situações de perda de trabalho”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

“Tendo ficado clara a desproteção social de muitos profissionais do espetáculo face a outros trabalhadores, era urgente, de uma vez por toda, regulamentar o Estatuto dos Trabalhadores Intermitentes para que estas pessoas possam ter um mínimo de garantias e apoios em situações de perda de trabalho ou suspensão da sua atividade, por motivos sanitários ou outros”. Esta é a opinião de Manuela Azevedo, dos Clã, sobre as medidas que o Governo deveria tomar para proteger a classe artística, fortemente atingida pela pandemia de covid-19.

À BLITZ, Manuela Azevedo diz acreditar que é “muito importante” que as salas de espetáculo continuem a funcionar, “considerando-se a cultura segura e necessária. É também de louvar a forma como vários setores da indústria e das artes se organizaram para apoiar profissionais do espectáculo que ficaram desamparados nesta crise sanitária e a sua constante ação e pressão, junto do governo, para que este tome medidas para apoiar o setor. E, claro, atribuir à cultura um orçamento decente seria também uma excelente ideia”.

A cantora confessa que os profissionais do espetáculo, “em qualquer área”, estão habituados a viver “entre períodos de trabalho e de penúria. Habituamo-nos a poupar para garantir sustento em piores dias. Por isso, e também porque não sou muito gastadora ou consumista, está a ser possível gerir o orçamento familiar sem ter que fazer grandes sacrifícios. Mas tive de prescindir – quer por prudência financeira, quer por impedimentos relacionados com a pandemia – de viajar, por exemplo”.

Pensando no que mudou nestes últimos oito meses, Manuela Azevedo destaca “a perda da naturalidade e da espontaneidade no contacto com os outros – a consciência da necessidade de manter distanciamento social, de evitar o toque, as máscaras que escondem o rosto, tudo isto traz uma tensão surda (e absurda) a todos os encontros. Claro que há outras mudanças, mas esta é para mim a mais evidente e perturbadora”.

Para a frontwoman dos Clã, “a incerteza e insegurança destes tempos podem causar desânimo e desalento. Felizmente, até agora, a nossa equipa e os colegas e colaboradores com quem trabalhamos e convivemos mais têm mantido um bom espírito e ânimo, o que tem ajudado a manter a nossa saúde mental. Mas estou preocupada com o impacto de tudo isto em todas as facetas das nossas vidas. É impossível fazer planos seguros para o próximo ano. Podes definir estratégias e objetivos, mas sem nenhuma garantia de que se irão concretizar, nem quando”.

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