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Dino D'Santiago no Campo Pequeno, Lisboa

Rita Carmo

Concertos terão de acabar antes das 22h30. E há espetáculos que já mudaram de horário

Conselho de Ministros estipulou 22h30 como horário de encerramento das salas de espetáculos nos 121 concelhos sujeitos a confinamento parcial. Alguns concertos reajustaram-se já a esta realidade: Manel Cruz cancelou uma das duas atuações em Lisboa e antecipou o começo da outra. Salas de espetáculo unem-se no 'movimento' “Continuamos abertos, Começamos mais cedo”

Os equipamentos culturais, situados nos 121 concelhos de Portugal continental, sujeitos ao confinamento parcial, a partir de quarta-feira, 4 de novembro, passam a encerrar às 22h30, segundo a Resolução de Conselho de Ministros, hoje publicada em Diário da República.

A resolução, publicada em suplemento na I Série, declara a situação de calamidade no âmbito da pandemia da doença covid-19, e estabelece, entre as "medidas especiais" aplicáveis aos 121 municípios com mais restrições, que os equipamentos culturais "devem encerrar às 22h30".

Teatros, cinemas, salas de concerto surgem assim, à semelhança de "estabelecimentos de restauração e similares", com horário alargado em mais 30 minutos, como exceções à imposição de fecho às 22h00, aplicada a "estabelecimentos de comércio a retalho e de prestação de serviços", assim como os que "se encontrem em conjuntos comerciais".

Para equipamentos culturais, incluindo museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos, e para iniciativas, como espetáculos ou outros eventos, em recintos fechados ou ao ar livre, a resolução retoma as orientações da Direção-Geral da Saúde, publicadas em maio, com o "Plano de Desconfinamento" do Governo.

A higienização de superfícies e instalações, o distanciamento físico, o uso de máscara, a desinfeção das mãos, a criação de sentidos de entrada e de saída, a limitação do acesso a espaços exíguos, a eliminação ou a redução do cruzamento de visitantes, em zonas de estrangulamento, são de novo especificadas no diploma.

CONCERTOS QUE COMEÇAM MAIS CEDO, TEATROS UNIDOS

Na sequência destas novas indicações, Manel Cruz, que esta quarta-feira, 4 de novembro, toca no Teatro Maria Matos, em Lisboa, anunciou que o concerto que tinha anunciado para as 21h30 começará às 20h30. Quanto à primeira sessão, marcada para as 18h30, não se realizará. Quem já tiver bilhete para esta sessão poderá marcar presença na sessão das 20h30, bastando para tal comparecer na bilheteira do Teatro Maria Matos até 20 minutos antes do início do espetáculo (até às 20h10). Também é possível pedir o reembolso do bilhete da sessão das 18h30, a partir de 6 de novembro.

“Lamentamos esta situação e as alterações comunicadas, mas esta limitação horária agora tornada conhecida não nos deixou outra alternativa. Obrigado a todos os que continuam a apoiar-nos, a apoiar a música e os artistas portugueses, e a confiar em nós!”, pode ler-se no Facebook de Manel Cruz.

Pela mesma razão, Benjamim, que acaba de lançar o álbum “Vias de Extinção”, comunicou que o seu concerto no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, a 6 de novembro, começará às 21h, em vez de às 21h30.

Também a Casa das Artes de Famalicão anunciou que o concerto de Tainá, a 6 de novembro, começará às 20h45.

Entretanto, vários teatros juntaram-se sob o mote “Continuamos Abertos, Começamos Mais Cedo”, informando que manterão as portas abertas, “seguindo todas as regras de segurança de público e de todos os profissionais envolvidos. Nesse sentido, a partir de 4 de novembro, iremos antecipar o horário da apresentação de espectáculos, de forma a permitir que o público possa cumprir o seu dever de recolhimento. Os novos horários poderão ser consultados nos sites de cada um dos teatros”, informam os responsáveis de numerosas salas de Lisboa e Porto, incluindo o Teatro Maria Matos, na capital, onde se têm realizado vários concertos, o Coliseu da Invicta e o Teatro Sá da Bandeira, no Porto, e o Theatro Circo de Braga.

No Teatro Maria Matos, o concerto de Lena d'Água a 18 de novembro começa às 20h e o de Cais Sodré Funk Connection com Paulo de Carvalho, a 30 do mesmo mês, também.

"Importante é que possamos continuar a trabalhar", diz APEFE

Contactada pela BLITZ, a APEFE - Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos - afirma: “Naturalmente que a limitação do horário de funcionamento dos equipamentos culturais que entra em vigor amanhã é mais uma dificuldade para os promotores e para todo o mercado em geral neste momento tão delicado que vivemos”.

“No entanto, não nos podemos alhear do que se passa à nossa volta e por isso mesmo, também entendemos que há aqui um voto de confiança pelo facto de podermos continuar a fazer espectáculos com a presença de público e um sinal inequívoco de que tanto o governo como Direção-Geral de Saúde reconhecem o esforço e o trabalho que os promotores, as salas de espetáculos e os artistas e as suas equipas têm feito, no rigoroso cumprimento das regras impostas, com sentido de responsabilidade e sempre transmitindo segurança ao público”.

“Porque importante mesmo é que a cultura e os recintos culturais não encerrem as suas portas e possamos continuar a trabalhar e a ter cada vez mais público nas salas de espectáculos, nos museus ou nas exposições. A cultura é segura”, remata a APEFE.

Com Lusa