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Rita Redshoes: “Uma situação como a que vivemos é uma bomba para a depressão. É como estar à deriva no mar, ao sabor da tempestade”

“A pandemia veio mostrar que não controlamos tudo nas nossas vidas e que o inimaginável pode tornar-se real. Os próximos meses vão ser duros”, considera a artista, falando à BLITZ

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

"A pandemia veio mostrar que não controlamos tudo nas nossas vidas e que o inimaginável pode tornar-se real. Tenho aprendido a centrar-me no dia a dia e não nos dias futuros. Por uma questão de proteção emocional, a minha criatividade aproveitou para se expandir a outras áreas" - esta foi a maior mudança na vida de Rita Redshoes, desde que a pandemia de covid-19 afetou o seu quotidiano pessoal e profissional, alterando sobretudo as suas "expectativas/realidade e a [sua] resiliência".

A quebra de rendimentos causada pelo menor número de concertos levou Rita Redshoes a suspender "algumas despesas mensais em assinaturas de páginas de música (samples) e de literatura e de tv. Tenho vendido algum material que já não uso e não cedo a tentações de comprar nada de que a família não precise. Inventa-se comidas para aproveitar os restos. A criatividade é uma grande aliada da poupança!".

Porém, a artista deseja salientar que tem tido a oportunidade de contar com alguma estabilidade. "O facto de ter uma família com a possibilidade de me apoiar, o ter poupado nos anos em que tive mais trabalho e a instabilidade inerente a esta profissão levaram-me sempre a procurar e aceitar desafios noutras áreas criativas de onde retiro algum retorno. Tudo isto me tem dado o suporte necessário para ter estabilidade", sublinha.

Quanto aos efeitos da pandemia na saúde mental dos cidadãos, Rita Redshoes mostra-se preocupada: "Uma situação como a que vivemos é uma bomba para a ansiedade e para a depressão. A frustração, o sentimento de impotência, de falta de liberdade e medo minam qualquer cabeça. A solidão pesa e facilmente o desespero aparece. É como estar à deriva no mar, ao sabor da tempestade", ilustra.

Para a cantora-compositora, esta é uma boa altura para o Governo "abrir os olhos para a importância da saúde mental numa sociedade. Os preços praticados nesta área não são acessíveis a todos os que precisam de ajuda. Isto tem de mudar. Infelizmente, além de uma crise económica, vamos ter um impacto muito forte a este nível".

Quanto ao regresso da música ao vivo como a conhecíamos, Rita Redshoes confessa: "Infelizmente não estou certa de que as coisas normalizem no próximo ano. Espero estar enganada. Os próximos meses vão ser duros e é possível que as medidas apertem, o que pode levar a uma nova paragem nos espectáculos".

"Sem um apoio concreto e realista ao meio por parte do governo, muitos de nós (e creio que em todas as áreas) terão de arranjar alternativas profissionais, pelo menos até voltar a normalidade. Contudo, tal como este vírus apareceu, pode ser que lhe apeteça ir embora mais cedo, para podermos ter as nossas vidas de volta!", acrescenta.

Sublinhando não ser política e "perceber pouco de finanças", Rita Redshoes defende porém a existência de "um plano de apoio sério por parte do Ministério da Cultura. Por outro lado, na parte que nos cabe, profissionais do espectáculo, para não baixarmos os braços de vez, acho que teremos de fazer mais um esforço e puxar da nossa criatividade para encontrar soluções que nos permitam continuarmos a fazer arte e sermos remunerados por isso. Parcerias, cruzamentos artísticos, plataformas.... não sei. Que me dera ter soluções!".