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Rita Carmo

Carlão: “Estamos deprimidos e sem perspetivas. Ninguém está seguro do que quer que seja”

“No meio artístico, há pessoas que estão em sérias dificuldades e não têm para onde se virar. Não me lembro de termos vivido algo minimamente parecido com isto”, diz Carlão à BLITZ, refletindo sobre os efeitos arrasadores da pandemia de covid-19 na vida dos artistas

"Os efeitos estão a ser brutais no setor cultural", desabafa Carlão sobre o impacto da pandemia de covid-19 na vida dos profissionais da cultura em Portugal, "ouço falar de pessoas que estão em sérias dificuldades no meio artístico e não têm para onde se virar, não me lembro de termos vivido algo minimamente parecido com isto".

O impacto financeiro traz consigo efeitos psicológicos inegáveis, segundo o músico, "claro que me preocupa o aspeto da saúde mental. Estamos todos deprimidos e sem perspetivas". Quanto ao que o governo terá de fazer para não deixar arruinar a indústria do espetáculo, não tem dúvidas: "tem que tomar medidas sérias nesse aspeto" e "continuar a reunir, com mais assiduidade, com os promotores, agentes e músicos para perceber o que fazer. A ministra da Cultura tem que tomar uma posição clara em relação a um problema que parece estar a passar-lhe ao lado".

Em termos pessoais, assume que a alteração mais flagrante na sua vida se prende com "as rotinas". "Pararam não só os concertos mas também os ensaios e tudo à volta do que é o meu principal meio de subsistência, financeira e mental", continua, salvaguardando que, apesar de tudo, não precisou de fazer grandes adaptações no que diz respeito ao orçamento pessoal ou familiar.

"Para já não posso dizer que tenha mudado muito nesse aspeto porque tenho tido a felicidade de participar em diferentes projetos que não passam pelas atuações e dessa forma colmatar a ausência de dinheiro que já tinha como garantido nos concertos marcados e entretanto cancelados", defende, deixando uma salvaguarda: "não sei é até quando é que vou ter essa sorte".

E as perspetivas para 2021 não são animadoras. Quando o questionamos sobre os planos que pode fazer para o próximo ano, assume: "De momento, nenhuns, ou, por outra, estão a ser marcadas datas mas a verdade é que a incerteza é enorme. Ninguém está muito seguro do que quer que seja".