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Pedro Abrunhosa: “[Com a pandemia], passei de aglutinador de multidões a animador nas redes”

“Ficar sem trabalho, sem rendimentos, não permite construir narrativas de futuro. O nome desse momento interior: depressão”, diz Abrunhosa à BLITZ, refletindo sobre o impacto da pandemia na saúde mental

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

“De aglutinador de multidões a animador nas redes”. Para Pedro Abrunhosa, esta é a mudança mais flagrante na sua vida, desde que a pandemia de covid-19 alterou a rotina pessoal e profissional dos músicos em Portugal.

À BLITZ, o artista do Porto afirma que “ficar sem trabalho, sem rendimentos, não permite construir narrativas de futuro. O nome desse momento interior: depressão”.

Pedro Abrunhosa considera, porém, que o confinamento oferece aos criadores algumas “oportunidades”. “Estar confinado, fechado num espaço físico restrito, permite aos criadores o usufruto de um tempo que antes buscavam entre viagens, espetáculos e afazeres mundandos. A maior oportunidade desta pandemia é traduzir essa perceção para o trabalho, a 'obra'. O crescimento brutal da busca por conteúdos deixa antever, para quem os produz, um caminho que apenas foi acelerado agora”.

“Nos últimos dez anos, a mudança dos paradigmas de consumo tem impactado a indústria do espetáculo e feito incidir mais-valias sobre a detenção da propriedade intelectual nas áreas do vídeo e do áudio. Seja qual for o futuro, já chegou e chama-se 'autoria'”, argumenta o homem de “Viagens”.

Neste sentido, Pedro Abrunhosa acredita que as soluções para salvar a indústria da música deverão passar por novas formas de tributação “sobre os cartéis do digital”. “Não restará alternativa aos países que respeitam o Direito de Autor, China excluída, senão o da tributação, articulada e acertada em sede própria dentro da União Europeia e dos Estados Unidos, sobre os cartéis do digital. A saber: 3% sobre os lucros das plataformas cujas receitas assentam a 100% sobre conteúdos, publicidade gerada pelos mesmos e pelo tráfico de dados gerados".

O músico considera que, "de forma nunca esclarecedora, estas plataformas ‘distribuem’ dividendos insultuosos aos autores, intérpretes e produtores, em sede autoral e conexa, sem os quais não existiriam conteúdos sequer". "Google, Youtube, Amazon, Facebook, Instagram, por exemplo, têm que devolver aos intervenientes o que é seu de direito", defende.

"Apenas uma forte pressão política conjunta da União Europeia, a exemplo da queixa de ontem do sistema judicial norte-americano contra a Google, poderá envolver Portugal nesta luta desigual e ser uma das formas de financiamento de todos os envolvidos na indústria da música e do espectáculo ”, remata.