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Concerto solidário pelo Iémen em Lisboa custou cinco vezes mais do que o montante angariado

Os artistas que atuaram no espetáculo solidário no Capitólio, em Lisboa, a 12 de setembro, receberam cachês pagos pela Câmara Municipal de Lisboa. O montante angariado para a causa terá sido cinco vezes inferior às despesas

O concerto intitulado "Estamos Aqui Iémen", que teve lugar a 12 de setembro no Capitólio, em Lisboa, custou à Câmara Municipal de Lisboa 16.760 euros, enquanto o montante entregue aos Médicos Sem Fronteiras, entidade beneficiária do evento, foi de 3.238 euros, apurou a revista Sábado.

A organização do evento, que se propôs alertar para a crise humanitária vivida no Iémen, esteve a cargo da atriz e apresentadora de televisão Cláudia Semedo, também diretora do Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, em Algés, propriedade do município de Oeiras.

Carlão, Ana Moura, Dino D’Santiago, Branko, Capicua, Chullage, Márcia, Mayra Andrade, Sara Tavares e Selma Uamusse atuaram nessa noite no Capitólio e, segundo a Sábado, cada artista recebeu 1000 euros de cachê, pagos pela Câmara Municipal de Lisboa a Cláudia Semedo. O restante montante diz respeito a despesas de produção, perfazendo-se os referidos 16.760 de custos suportados pela edilidade lisboeta. A soma angariada de 3.238 euros advém da venda de bilhetes e da recolha de donativos.

Contactada pela 'newsmagazine', Cláudia Semedo alega que deixou claro os propósito das iniciativa em entrevistas que deu, referindo que, além do objetivo de angariação de fundos para a ONG Médicos Sem Fronteiras, se pretendia "dar palco aos artistas e aos profissionais das artes que, neste quadro pandémico, atravessam momentos difíceis sem os devidos apoios". "Enquanto artista, acho injusto e até imoral que as pessoas achem que os artistas têm de doar o seu tempo e o seu trabalho quando mais ninguém o faz", sublinhou.