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Bruce Springsteen em 2020

Danny Clinch

Chegou a vez de Bruce Springsteen enfrentar os fantasmas do passado

O 'Boss' voltou a reunir a E Street Band para gravar “Letter to You”, numa viagem à casa das mil guitarras. Mergulho no disco e no documentário que acabam de ser publicados

Bruce Springsteen tinha 22 anos e precisava de contar as moedas de cêntimo, uma a uma, até perfazer o modesto dólar necessário para pagar a portagem do Lincoln Tunnel, no trajeto de New Jersey a Nova Iorque. Mas, nessa altura, já tinha conseguido ser recebido por John Hammond, o lendário ‘descobridor’ de Billie Holiday, Aretha Franklin, Count Basie, Bob Dylan, Leonard Cohen, Robert Johnson, Arthur Russell ou Benny Goodman, que — conta na autobiografia, “Born to Run” (2016) —, ao escutar ‘It’s Hard to Be a Saint in the City’, lhe disse: “Tens de assinar pela Columbia Records. Foi maravilhosa. Toca outra.” Procurando recompor-se (“Senti o coração a subir por mim acima, partículas misteriosas a dançarem-me sob a pele e estrelas distantes a fazerem disparar as minhas terminações nervosas”), tocou ‘Growin’ Up’ “e, depois, uma coisa chamada ‘If I Was the Priest’. Ele adorou os elementos católicos, sublinhou a ausência de clichés e disse que tinham de tratar das coisas para que o Clive Davis (então, o presidente da Columbia) me ouvisse. (...) Tinha subido aos céus e falado com os deuses que me disseram que cuspia trovões e lançava raios. Estava a acontecer!”. A divindade Clive Davis deixou-se também seduzir, mas, como recorda agora Springsteen no filme de Thom Zimny que acompanha a publicação do novo “Letter to You”, não resistiu a comentar que as canções estavam sobrecarregadas de palavras, “se não tiveres cuidado, acabas por esgotar a totalidade da língua inglesa. Essas coisas são para o Bob Dylan!”. Bruce tomou nota mas, interiormente, não deixou de as sentir como um enorme elogio: “Bob Dylan inspirou-me e deu-me esperança. Apontou corretamente o norte e fez as vezes de farol para nos ajudar a descobrir o caminho por entre o novo caos em que a América se tornara. Ele hasteou uma bandeira, escreveu as canções, cantou as palavras essenciais à época e, naquele momento, à sobrevivência emocional e espiritual de muitos jovens americanos”, escreveria também em “Born to Run”.

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