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Lena d'Água

Rita Carmo

Lena d'Água: “Que as pessoas se protejam sem nunca desistirem de viver. A música serve para comer, em todos os sentidos”

“Felizmente a minha casa está paga”, conta Lena d'Água, quando questionada sobre o impacto na sua vida da crise gerada pela pandemia. “Sinto a grande falta de beijos e abraços aos que mais amo e a falta dos sorrisos das pessoas”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

“A grande falta de beijos e abraços aos que mais amo e a falta dos sorrisos das pessoas que nos têm ido ver tocar”: esta é a mudança mais flagrante na vida de Lena d'Água, quando pensa no seu quotidiano pré-pandemia e nos dias que correm.

Desde que a covid-19 ditou a paragem quase total da música ao vivo, e os rendimentos dos músicos sofreram uma forte redução, a cantora prescindiu “de almoçar fora de vez em quando. E nunca mais comprei roupa, o que já era uma tendência nos últimos anos. Felizmente a minha casa está paga”, acrescenta, contando ainda que desistiu de comprar um gira-discos e de pintar a casa, desde que a pandemia se instalou.

Para manter “alguma sanidade mental”, Lena d'Água tem recorrido ao poder da música ao vivo, ainda que os concertos sejam hoje em muito menor número.

“No meu círculo mais próximo, e apesar dos muitos cancelamentos, temos conseguido manter alguma sanidade mental, graças aos Prémios Play, à Fnac Live Box, ao Eléctrico [programa da RTP e Antena 3] e a mais alguns concertos que já começámos a fazer. Entretanto a Minta e o Benjamim estão com discos novos e isso também nos dá oxigénio para o futuro”, comenta.

Olhando para os próximos meses, Lena d'Água diz esperar “que as pessoas se continuem a proteger sem nunca desistirem de viver. A música (e a arte em geral) serve para comer, em todos os sentidos”.

Quanto a possíveis soluções para evitar o colapso da indústria da música, afirma: “Temos de nos adaptar à nova situação e ir melhorando as condições em que são apresentados os concertos. Da nossa experiência, a consciência do que é necessário fazer nos locais de espetáculos para evitar a propagação do vírus é já visível e as condições apresentadas têm-nos oferecido garantia de segurança. Mais me preocupo com os muitos que precisam de se deslocar de transportes públicos no seu dia a dia”.

À BLITZ, Paulo Furtado, aka Legendary Tigerman, defendeu que se tomem “
medidas fortes, regionais e nacionais, para impedir que os clubes independentes, que sustentam provavelmente a parte mais frágil do tecido artístico e técnico da música em Portugal, fechem”.