Perfil

Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

Notícias

Bárbara Bandeira

Bárbara Bandeira denuncia assédio sexual na música em Portugal. “Já tive situações muito constrangedoras pelo facto de ser mulher”

“Não é por ser miúda e mulher que um agente me pode apalpar, que me pode mandar piropos. É importante que as miúdas que têm o sonho de ser cantoras em Portugal tenham consciência daquilo em que se estão a meter”

Bárbara Bandeira denunciou situações de assédio sexual na música em Portugal, falando sobre a experiência que tem vivido.

Em entrevista à rádio Mega Hits, Bandeira, de 19 anos, afirma: “Já tive situações muito chatas e muito constrangedoras pelo simples facto de ser mulher. Por ser nova, as pessoas tomam-me por ingénua. E isso é coisa que nunca fui”, garante a cantora de 19 anos.

“Podem ter-me enganado uma ou outra vez, mas nunca me fizeram de parva. E sinto que nesta indústria há muitos homens que nos querem fazer de parvas. Digo homens porque nunca me aconteceu com mulheres, ou diria a mesma coisa. Não é por eu ser miúda e mulher que um agente me pode apalpar, que me pode mandar piropos: eu estou ali a trabalhar. Seja a mim, a uma bailarina ou uma fã minha”, defende.

Bárbara Bandeira conta ainda algumas “situações desagradáveis” que já lhe aconteceram: “Chego ao pé de um rapper ou cantor e digo: 'gostava muito que entrasses numa música minha, tens aqui o meu som, vê se curtes'. E a resposta dele é: 'OK, queres vir ter comigo ao Algarve hoje?'”.

“Se eu fosse uma miúda ingénua, teria ido ter com um rapper a Vilamoura para falar, supostamente, de trabalho, e se calhar tinha corrido mal. É importante que todas as miúdas que têm o sonho de ser cantoras em Portugal tenham consciência daquilo em que se estão a meter e tenham uma base emocional sólida”, alerta, acrescentando que na indústria musical “há muito dinheiro e muitos egos”.

“Eu não só sei dizer como é ser mulher, como sei dizer como é ser menor de idade e mulher na indústria da música”, comenta ainda Bárbara Bandeira, que na mesma entrevista recorda as primeiras 'negas' que levou (“Hoje consigo compreender que, na altura, não havia uma miúda estilo Justin Bieber a fazer pop em português, de que a malta gostasse”) e de como as redes sociais foram uma ferramenta essencial para conquistar o seu público.