Perfil

Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

Notícias

Legendary Tigerman no Musicbox, em Lisboa, a 29 de janeiro de 2020

Facebook Legendary Tigerman

Paulo Furtado (Legendary Tigerman): “Acho que nunca vivemos algo tão fortemente destruidor”

“Se a situação [de pandemia] se mantiver, vamos perder uma grande fatia do nosso tecido cultural”, receia Legendary Tigerman, defendendo a tomada de “medidas fortes para impedir que os clubes independentes, que sustentam a parte mais frágil do tecido artístico e técnico da música em Portugal, fechem”. À BLITZ, Furtado conta ainda como, a nível pessoal, tem reagido às privações: “prescindo de quase tudo o que é supérfluo”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

“Eu tinha a vida profissional mais planeada do mundo, com planos a dois/três anos de tours, projetos, etc. De momento tudo isso caiu, e quase que é preciso reavaliar tudo semanalmente. O fim dos concertos 'normais' também parece que chegou por uns tempos. Não sei muito bem o que pensar do futuro como músico: acho que todos vivemos numa constante adaptação. É muito duro”. Estas são palavras de Paulo Furtado, o homem por detrás de Legendary Tigerman, falando à BLITZ sobre o impacto da pandemia de covid-19 na sua vida profissional e pessoal e no futuro a curto prazo do setor da música e da cultura, assim como verbalizando os seus principais receios e as medidas que julga mais urgentes.

"Preocupam-me os artistas, mas também me preocupam o público e a população em geral, no que a falta de cultura e de alimento para o espírito e para a alma podem fazer a todos. É muito desanimador, mas temos que tentar contrariar este sentimento”, acrescenta.

Por enquanto, Paulo Furtado tem trabalho em mãos. “Felizmente, muito do trabalho - bandas-sonoras para teatro e cinema, não os concertos - que estava programado para o ano todo acabou por se acumular e está a acontecer desde agosto até agora”, congratula-se, lembrando porém que “a qualquer momento” esses projetos podem ser cancelados.

Nos próximos meses, o músico, que desde o início da pandemia prescindiu “de quase tudo o que é supérfluo”, sente que não poderá fazer muitos planos. “E creio que, se a situação se mantiver durante muito mais tempo, iremos perder uma grande fatia do nosso tecido cultural. Os clubes estão em risco. Há tanta coisa em risco neste momento. Acho que nunca vivemos algo tão fortemente destruidor”.

O homem de “Misfit” defende que se tomem “medidas fortes, regionais e nacionais, para impedir que os clubes independentes, que sustentam provavelmente a parte mais frágil do tecido artístico e técnico da música em Portugal, fechem. E têm que ser criados apoios específicos para os músicos e técnicos, porque neste momento creio que já há muita, muita gente que não consegue pagar a renda de casa ou comprar comida para si e para o seu agregado familiar. O mundo da música vive uma situação de Estado de Emergência desde que entrámos em confinamento, porque a grande maioria de nós não teve qualquer oportunidade para trabalhar desde aí. Basta imaginar isso”.