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Linkin Park

Eram quase 2 da manhã quando fizemos uma pergunta aos Linkin Park. E não, não foi um sonho!

Prestes a comemorar 20 anos de “Hybrid Theory” com uma reedição de luxo, os Linkin Park falaram com jornalistas de todo o mundo sobre o álbum que os tirou do anonimato e os levou aos píncaros do sucesso. A BLITZ esteve lá

Na madrugada portuguesa de 29 para 30 de setembro, os Linkin Park ligaram-se a jornalistas de todo o mundo, através de uma plataforma digital, para responder a perguntas sobre "Hybrid Theory", o álbum de estreia que, há 20 anos, os tirou do anonimato. E a BLITZ esteve presente.

Duas décadas volvidas, o disco que incluía sucessos como 'Crawling', 'In the End' ou 'One Step Closer' tem um lugar seguro entre os 40 álbuns mais vendidos de sempre, a nível mundial, e vai agora ser reeditado, a 9 de outubro: "Hybrid Theory: 20th Anniversary Edition" chega numa caixa de luxo que inclui raridades e inéditos e é composta por 5 CDs, 3 LPs, 3 DVDs e uma cassete, junto com um livro de 80 páginas, um poster e 3 litografias, entre outras coisas.

Ao longo de hora e meia de conversa Mike Shinoda, Brad Delson, Dave Farrell e Joe Hahn responderam a questões oriundas dos quatro cantos do mundo - da Tailândia e Indonésia aos Estados Unidos e Austrália, passando por Portugal - e falaram especialmente sobre o álbum que deu início ao percurso dos Linkin Park.

Os jornalistas foram previamente aconselhados a não questionar os elementos da banda sobre o futuro, que continua incerto depois da morte do vocalista Chester Bennington, tendo a banda já esclarecido que os primeiros a saber do eventual regresso serão os fãs: "Assim que tivermos nova informação, vamos anunciá-la primeiro nas redes sociais e no site oficial".

25 minutos depois do início da conversa, moderada pelo radialista norte-americano Matt Pinfield, entrámos em lista de espera para os nossos quatro minutos de conversa com a banda, tempo suficiente para nos responderem a uma questão. Escolhida às escuras, sem sabermos se entretanto já teriam respondido às várias que tínhamos preparado, a pergunta que lhes fizemos, depois de Pinfield nos convidar para a sala de conversação virtual, foi a seguinte:

Quando pensam que “Hybrid Theory” se tornou um dos álbuns mais vendidos de sempre no mundo inteiro, ainda se conseguem recordar do que ia nas vossas cabeças quando terminaram de o gravar? Quais eram os vossos planos?

O primeiro a responder foi o DJ e teclista Joe Hahn:

“Não sei... Quando ouço coisas desse género acho fantástico, e fico muito feliz, mas há algo que o meu ego não consegue atingir. Estávamos tão concentrados na forma como queríamos ser compreendidos, no tipo de música que queríamos fazer e na forma como queríamos que fosse recebida que, para mim, apesar de nos ter trazido muitas oportunidades fantásticas, isso quase que foi periférico. Foi tipo ‘OK, fixe, estamos a fazer a coisa certa, mas vamos lá continuar’. Trouxe-nos coisas maiores e melhores, passámos de tocar em clubes para tocar em salas de espetáculos maiores, passámos a ser cabeças-de-cartaz de festivais, fomos tocar a países onde nunca tínhamos estado, fomos convidados para eventos e espetáculos onde nos cruzámos com outras figuras da cultura popular... Foi quase uma distração agradável, para mim. Se é que isso faz sentido. Não sei o que os meus colegas sentem, mas desde que esse primeiro disco saiu abriu-se uma barragem e vivemos, nos últimos 20 anos, num turbilhão de coisas fantásticas".

Puxado para a conversa, de seguida, o vocalista e multi-instrumentista Mike Shinoda acrescentou:

“Estou certo de que houve algum tempo aí pelo meio, mas na minha cabeça passámos diretamente de acabar o álbum para alugar uma camioneta, meter o nosso material lá dentro e partir em digressão. Não me lembro de quaisquer intervalos de tempo substanciais ou descanso desde o momento em que fizemos esse álbum até ao final da digressão de ‘Meteora’ [o segundo álbum, de 2003]. Sei que eles existiram, mas tudo aconteceu tão rápido que havia sempre qualquer coisa a acontecer. A banda parecia um comboio de mercadoria, que seguia sem parar. Isso foi bom, sentíamos que era trabalho árduo mas... Não digo isto no sentido de “uau, a banda é popular”, porque o nosso objetivo não era sermos populares. Sentíamos que tínhamos uma boa ideia e queríamos partilhá-la. Isso faz sentido? Essa ideia do ‘Hybrid Theory’, de pegar nesta música que parece tão agressiva e zangada e transformá-la num íman que atraísse os fãs. Assim que os tivéssemos lá, podíamos mostrar-lhes empatia, compaixão, camaradagem e dar-lhes um espetáculo onde não estivessem a gritar uns com os outros. Não estávamos ali a gritar que o mundo era horrível e que tudo era horrível, na verdade queríamos que eles pusessem os braços à volta uns dos outros e tivessem uma experiência catártica. Foi isso que nos guiou, no fim de contas, na maior parte do tempo”.