Perfil

Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

Notícias

Talking Heads em junho de 1977

Getty Images

Como nasceram, viveram e morreram os Talking Heads. A história de uma banda genial que não falava entre si

Chris Frantz, o dono da bateria dos Talking Heads, revela em “Remain in Love” vívidas memórias de uma das mais originais bandas de sempre. Ao mesmo tempo, pinta um incrível retrato de uma época em que a música passou importantes revoluções. E atira a 'matar' a David Byrne, o seu alvo favorito

Para celebrar a memória de Roy Orbison, a sua viúva, Barbara, organizou um espectáculo beneficente em Burbank, na Califórnia, em 1990. A ideia era fazer uma casa para os sem-abrigo com o nome do malogrado cantor. Na sua recentemente publicada memória, Remain In Love , Chris Frantz, conta que ele, juntamente com a sua mulher Tina Weymouth e ainda Jerry Harrison – ou seja, três quartos dos Talking Heads – foram convidados para participar no concerto, algo que fizeram com total agrado, tendo actuado sob a irónica e até algo reveladora designação de Shrunken Heads. “O cabeça de cartaz era Bob Dylan que se apresentou com a formação original dos Byrds. Enquanto assistíamos à sua apresentação num ecrã de televisão instalado nos bastidores, os seguranças grandalhões de Bob entraram por ali adentro e disseram: ‘Todos para fora. O Bob está quase a chegar e não quer ver ninguém!’ Emmylou Harris, Bonnie Raitt, Wendy & Lisa, Iggy Pop, Patrick Swayze e mais uns quantos grandes artistas, incluindo a Tina e o Jerry, levantaram-se e saíram da sala. Eu decidi ficar, porque queria conhecer o Bob”, escreve o baterista. “Porque eu tinha um blazer azul vestido, penso que o pessoal do Bob deve ter achado que eu trabalhava ali e não me empurraram como fizeram com os outros. Quando o Bob entrou, perguntou-me casualmente: ‘Hey man! Para onde foi toda a gente?’ Eu disse-lhe que o seu pessoal tinha expulso toda a gente e o Bob disse: ‘Oh, merda. Até a Emmylou?’ ‘Sim,’ respondi. ‘Até a Emmylou’.”

O caricato episódio é apenas um de muitos guardado de forma vívida pela acutilante memória de Chris Frantz e agora relatado no livro dado à estampa nos Estados Unidos pela St. Martin’s Press (a edição britânica é da White Rabbit). Remain in Love – Talking Heads, Tom Tom Club, Tina é um importante (e delicioso…) documento que lança reveladora luz sobre o percurso de uma das mais influentes bandas dos anos 70 e 80 ao mesmo tempo que ajusta contas com o passado. À Rolling Stone, Chris Frantz diz que antes de se atirar à escrita deste livro, teve que tomar uma importante decisão: “Qual seria o tom que eu deveria adoptar? A última coisa que eu queria, no que ao tom diria respeito, era que o livro fosse de um baterista chorão apenas interessado em bater no vocalista da sua banda. Eu não sou assim e não queria mesmo que o livro fosse isso”. E não é, de facto. Mas ainda assim, a verdade é que David Byrne acaba mesmo por ficar mal no retrato “pintado” pelo seu antigo companheiro.

“Remain in Love”, de Chris Frantz

“Remain in Love”, de Chris Frantz

Frantz é um escritor interessante, capaz de alinhar ideias de forma fluída, com um ácido sentido de humor. Quando escreve sobre os primeiros sinais do seu interesse por arte – antes de ser músico, Chris ainda ponderou uma carreira como artista plástico, impulso que, aliás, o levou até à Rhode Island School of Design, “a Harvard das escolas de arte”, onde conheceu Tina e David Byrne -, o baterista relata o momento em que teve que escolher uma pintura clássica famosa para copiar na aula do professor David Miller: “Provavelmente porque eu era um adolescente cheio de tesão, escolhi um dos nus voluptuosos do Renoir”.

Filho de um advogado militar que chegou ao posto de general do exército americano, Chris Frantz, que completará 70 anos em Maio de 2021, começa por relatar uma infância feliz, passada a dada altura entre Pittsburgh, onde residiam os seus pais, e a zona norte da Virginia onde frequentou a Christchurch, um daqueles colégios internos para rapazes em que “todos usavam casaco e gravata” e onde o seu interesse pela música começou a despontar: “Eu era sobretudo um fã dos Beatles, dos Rolling Stones e dos Beach Boys”. Até que um colega da escola lhe mostrou James Brown, Sam and Dave, Otis Redding e os Tams. “Talvez eu quisesse ser aceite pelos meus colegas sulistas, mas não tive dúvidas de que esta música negra era maravilhosa e sexy”. Habituado a trabalhar durante os Verões, Chris Frantz, apesar do seu burguês enquadramento familiar, não recusou trabalho braçal em fábricas no Kentucky, onde costumava passar tempo com os seus avós, mais um pormenor que enquadra a sua personalidade terra-a-terra.

Mais tarde, no final da adolescência, Chris ingressou então na Rhode Island School of Design (RISD), onde mais descobertas o aguardavam: “Já falei de drogas?”, pergunta a dada altura, enredando o leitor na sua densa teia de memórias. “Estávamos nos anos 60, afinal de contas. Embora eu tivesse mesmo medo da heroína e dos calmantes pelo que tinha ouvido falar, não temia a marijuana, o haxixe, LSD, mescalina ou anfetaminas”. Em Setembro de 1971, Chris conheceu Martina Michèle Weymouth, e o amor que inspira o título do seu livro talvez ajude a explicar a recordação cinemática do momento em que primeiro a avistou: “De repente, como numa cena de um filme de Truffaut, vi uma rapariga a pedalar pela rua Benefit abaixo, vindo na nossa direcção, numa velha bicicleta amarela de três velocidades. Ela usava uma camisa de marinheiro francês às riscas azuis e brancas e calções muito curtos. Era magra, estava em forma e as suas pernas eram fabulosas. Enquanto passava, o seu cabelo louro desgrenhado abanava com a brisa. Ela ia atenta ao trânsito e por isso não olhou na nossa direcção, mas pude ver que o seu rosto tinha algumas sardas e que era muito bonito. Tinha os olhos muito apartados que pareciam reflectir uma aguda inteligência”. Apesar do óbvio romatismo, no entanto, Chris, que à época tinha outra namorada, tal como Tina também estava numa relação, não cai no lugar comum de falar em amor à primeira vista. Pelo contrário. Ao longo das páginas do livro, o que o músico recorda é a delicada construção de uma relação que se manteve até ao presente. Dá trabalho ser assim feliz, mas, como se explica detalhadamente no livro, Chris nunca teve pejo em trabalhar.

Chris Frantz e Tina Weymouth em 1986

Chris Frantz e Tina Weymouth em 1986

Getty Images

Fa-fa-fa-fa-fa-fa-fa-fa-fa-far better

Na RISD, Chris conheceu muita gente envolvida no mundo da arte. Foi colega de Stephen Sprouse, um designer que mais tarde entraria no circulo de Andy Warhol e que ajudaria a definir o estilo visual de Debbie Harry e dos Blondie, teve aulas com Alan Sondheim, professor de arte conceptual que levou La Monte Young à escola e que lhe abriu os olhos para o ambiente de vanguarda que mais tarde o envolveria em Nova Iorque. E, claro, foi nessa liberal escola de artes que conheceu David Byrne. Um amigo comum, Marc Kehoe, sabendo que Chris tocava bateria perguntou-lhe se ele se importaria de, juntamente com um guitarrista que conhecia, fazer a banda sonora para um pequeno filme experimental que estava a preparar. “A orientação do Marc foi simples: ‘façam um barulho infernal que vá crescendo, fique frenético, e depois vá decrescendo”. Esse amigo com quem Chris colaborou era David Byrne, à época já com a sua inscrição oficial na escola cancelada, mas ainda assim completamente embrenhado na cena artística local: “Ele pensava que a escola de artes era uma aldrabice”. O futuro líder dos Talking Heads já à época se distinguia, mesmo no meio de uma multidão de estudantes de artes: “O cabelo estava descolorido, quase branco, o que contrastava com as suas sobrancelhas pretas e com os densos pelos dos braços. Usava calças de cabedal pretas que dizia ter feito ele mesmo. Era um visual muito louco, muito proto-punk”.

Chris Frantz recorda o momento em que o tema “Psycho Killer” tomou forma, no atelier de pintura que ele e Tina dividiam. David explicou-lhes que estava a começar a trabalhar numa canção, ao estilo de Alice Cooper, mas que ainda só tinha um par de frases: “I can’t seem to face up to the facts / I’m tense and nervous and I can’t relax / I can’t sleep ‘cause my bed’s on fire / Don’t touch me, I’m a real live wire.” Tina, que falava bem francês, foi quem sugeriu a letra para a bridge: “Ce que j’ai fais çe soir là / ce qu’elle a dit çe soir là / Réalisant mon éspoir / Je me lance vers la gloire, OK”. O próprio Chris contribuiu com vários dos versos seguintes, como por exemplo: “You start a conversation, you can’t even finish it / You’re talking a lot, but you’re not saying anything. / When I have nothing to say, my lips are sealed. / Say something once, why say it again?” E David Byrne tratou do refrão: “Pyscho Killer, Qu’est-ce que c’est / fa fa fa fa fa fa fa fa fa fa, better / Run run run run run run run away”. Chris gostou da experiência e escreveu mais uma canção, “Warning Sign”, inspirando-se, admite, na batida que Ringo Starr criou para “Tomorrow Never Knows”. David Byrne acrescentou apenas algumas frases à letra, mas quando o segundo álbum dos Talking Heads, More Songs About Buildings and Food, chegou às lojas, David era creditado como o único autor da canção. “Ao que parece ele tinha-se esquecido que eu tinha escrito aquela letra e quando o confrontei ele assegurou que iria corrigir os créditos em futuras prensagens”. Este facto é mencionado num tom tão leve, tão de passagem, que quase parece irrelevante. Só que não.

“Volta amanhã porque os Ramones vão tocar”

A dada altura, Chris evoca uma exposição colectiva em que alguns dos seus colegas do último ano do curso estiveram envolvidos, tendo até convidado David Byrne a expor, apesar de já não frequentar o curso. A banda que Chris e David tinham criado, os Artistics, era suposta tocar nessa festa que tinha sido promovida pelo campus com um flyer em que se anunciava que seriam servidos cocktails ao público presente. A inauguração da exposição acabou por ser cancelada pela administração da escola, uma vez que não havia permissão legal para a venda de álcool nas suas instalações. Montada numa galeria com uma sala principal e duas pequenas salas nas traseiras, essa mostra tinha obras de Jeff Turtletaub, Marc Kehoe e Naomi Reichbart e ainda de David, todas expostas de forma a que nenhum dos artistas tivesse mais destaque do que os restantes. Quando a inauguração foi cancelada e todos se foram embora, algo aconteceu. “Só há alguns anos é que soube o que sucedeu”, revela Chris Frantz.

“Quando todos já tinham saído do edifício, David regressou à galeria e remontou a exposição de forma a que só as suas obras estivessem visíveis na sala principal. Os quadros de Marc, Jeff e Naomi foram relegados para as pequenas salas dos fundos. Quando se entrava na galeria, seria normal pensar-se que se tratava de uma exposição solo do David.” O que Chris escreve depois deixa claros os seus sentimentos para com o homem que em 1991 decidiu colocar um ponto final na carreira, então no auge, dos Talking Heads e que desde então tem terminantemente recusado a possibilidade de uma reunião apesar de, mesmo a solo, continuar a fazer uso abundante do reportório que escreveu juntamente com os seus antigos companheiros, como as suas recentes apresentações na Broadway deixaram claro. “Este incidente estabeleceu logo um primeiro precedente para a necessidade aparentemente continuada de David se auto engrandecer em detrimento dos seus colaboradores, como se as contribuições deles não fossem tão importantes como as suas. Tivesse eu tido conhecimento deste episódio na altura e tê-lo-ia confrontado, mas não tive. Por alguma razão, ninguém me contou. Anos mais tarde, ele tratou o resto de nós nos Talking Heads com semelhante desrespeito e continua a fazê-lo. Tenho que me perguntar como se sentirão os seus novos colaboradores. Tina já disse que ele parece incapaz de retribuir a amizade. E nós aprendemos isso em primeira mão”.

Fica claro ao longo do livro que Chris não tenta negar os óbvios méritos de David Byrne, mas também não esconde as mágoas profundas que tanto ele como os seus antigos companheiros de banda sentem ser a derradeira consequência da complicada personalidade do frontman dos Talking Heads. Remain in Love, no entanto, não é apenas uma lista de queixas, longe disso, e oferece mais uma belíssima janela através da qual se pode espreitar para dentro de uma época particular e de uma cena, aquela que se ergueu em torno do CBGB em Nova Iorque, cujos efeitos se prolongaram até ao presente.

O baterista recorda, por exemplo, a primeira vez que meteu os pés no mítico clube de Hilly Kristal: “parecia um sítio solitário e triste, uma verdadeira espelunca da Bowery. O lugar cheirava a cerveja, merda de cão e spray para matar baratas”. Nessa primeira visita ao mais importante laboratório punk de Nova Iorque não havia nenhuma banda a tocar e tinha sido precisamente a busca de nova música que tinha levado o curioso Chris até ao clube, seguindo a indicação de um amigo. Foi um homem num fato reluzente e com um sotaque mexicano carregado que o esclareceu: “Não, man. Esta noite não toca ninguém, mas volta amanhã porque os Ramones vão tocar”. “Hum, pensei eu. Música mexicana? Disse-lhe: ‘Ok, eu volto amanhã’.”

Talking Heads em 1977

Talking Heads em 1977

Getty Images

“Os Talking Heads é que eram a galinha enquanto que o David era o ovo de ouro”

“Os Ramones”, recorda o músico mais adiante, “afinal não eram mexicanos. Eles eram quatro tipos mais ou menos da minha idade. O guitarrista e o baixista tinham cortes de cabelo desgrenhados e estilosos como os dos Bay City Rollers. O baterista era baixinho e tinha um estilo cool e minimalista de tocar. O vocalista era alto, chocantemente magro e cantava com um falso sotaque britânico”. “Os Ramones”, explica ainda Chris Frantz, “pareciam-me uma peça de arte conceptual e embora tivessem ainda que polir muita coisa eram completamente originais e eu adorava-os”. Nova Iorque era mesmo o lugar onde Chris queria estar. Juntamente com David e Tina, começou por viver no Lower East Side no final do Outono de 1974, numa rua em que tinha por vizinhos dominicanos e porto-riquenhos pobres. Enquanto Chris ganahava a vida num atelier de design, Tina trabalhava numa sapataria e tinha entre os clientes gente como Cher ou Bette Midler.

David e Chris, desejosos de entrar na cena musical, paravam no CBGB aos fins de semana, quando havia bandas a tocar, e foi lá que viram os Angel and the Snake, grupo que tinha uma vocalista “lindíssima, de voz límpida, doce e nada afectada”. No final do concerto, Chris, que viu a vocalista sentada no bar, apresentou-se: “O meu nome é Chris Frantz e este é o David Byrne”. Ambos queriam saber se ela estaria interessada em cantar com eles. “O meu nome é Debbie Harry, já tenho uma banda, mas podes pagar-me um copo”.

O primeiro concerto dos Talking Heads resultou de uma proposta de Chris a Hilly Kristal, que aceitou que eles fizessem uma audição para poderem abrir para os Ramones. “Nós temos um estilo muito próprio”, foram as palavras que Chris usou para convencer o dono do CBGB a dar-lhes a oportunidade. Depois da audição, a que assistiram umas 20 pessoas, Chris conta que ouviu Johnny Ramone a dizer ao dono do bar: “Sim, eles são péssimos, por isso podem abrir para nós. Vão fazer-nos parecer bons”. “Depois, uma noite, em Novembro de 1975, quando estávamos a abrir para os Ramones, o Seymour Stein ouviu-nos a tocar por acaso. Ele tinha vindo ao clube para ouvir os Ramones e estava na rua a falar com o Lenny Kaye quando começámos o nosso set com a ‘Love Goes to Building on Fiee’.” Na altura, Tina já estava a tocar com David e Chris e este “pequeno trio” conseguiu, ainda assim, impressionar o executivo discográfico. “No final do concerto”, conta o baterista, “ele perguntou à Tina se a podia ajudar a retirar o equipamento do palco. Ele disse: ‘Sou o Seymour Stein da Sire Records, Podemos falar?”

Poderia dizer-se que o resto é História. E parte importante dessa história é relatada num livro carregado de preciosos detalhes, rico por ser a crónica na primeira pessoa de uma testemunha viva de uma era transformativa, em que se experimentaram novas abordagens à música, em que foram efectivamente derrubadas as fronteiras entre o que era supostamente branco e o que era obviamente negro, em que se produziu alguma da mais imaginativa música pop de todos os tempos. Quase no final do livro que se estende até bem perto das 400 páginas, Chris remata: “A Tina disse-me: sem aventuras não teremos histórias.” “Em 1991”, prossegue o baterista e escritor, logo no parágrafo seguinte, “o David escapuliu-se dos Talking Heads. Recebemos uma chamada do Los Angeles Times para que pudéssemos confirmar algo que o David tinha dito a um dos seus jornalistas. Ele disse-lhes: ‘os Talking Heads separaram-se ou lá o que quiserem chamar a isso’. Nunca tivemos uma reunião para decidirmos separar-nos. Nem nunca o discutimos. No último encontro que tivemos com o David, no seu loft de SoHo, o David gritou-me a mim, à Tina, ao Jerry e ao Gary (NR: Gary Kurfist, o manager da banda): ‘Vocês deviam estar a chamar-me idiota!’ Ele estava perturbado por nós nos termos mantido calmos enquanto ele nos dizia que não queria voltar a trabalhar connosco”. “Ele já tinha dito isto tantas vezes”, justifica Chris Frantz, “que nós pensámos que ele mudaria de ideias”.

Na cabeça do baterista, que, entretanto, tinha criado o projecto de sucesso Tom Tom Club, com a sua mulher Tina, seria possível manter os Talking Heads e, ao mesmo tempo, David poderia também ter a sua própria carreira paralela a solo. A Warner teria até proposto a David um milhão de dólares por cada novo álbum dos Talking Heads que ele decidisse fazer a cada dois ou três anos. Mas David Byrne acabou antes a receber uma proposta para uma carreira a solo, com os Talking Heads a serem deixados de fora da equação desenhada por Mo Ostin, executivo de topo na Warner. “O Mo deve ter pensado que o David era a galinha que tinha posto o ovo de ouro, mas, na verdade, os Talking Heads é que eram a galinha enquanto que o David era o ovo de ouro...”

Estas vidas davam, obviamente, um belo filme. E o livro que Chris Frantz escreveu tem a substância de um bom argumento, mas, na já mencionada entrevista à Rolling Stone, o muito experiente artista desvaloriza essa possibilidade, sem, no entanto, a colocar totalmente de lado: “O Brad Pitt já está demasiado velho para desempenhar o papel do jovem Chris Frantz”.