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Erick Morillo

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“Não deveríamos glorificar violadores”. A revolta de uma DJ com as homenagens a Erick Morillo

Erick Morillo estava a ser acusado de violação quando foi encontrado morto, em casa, na semana passada. Há mais duas mulheres, ambas DJs, a falar de assédio sexual por parte do produtor e DJ norte-americano

Erick Morillo, DJ e produtor norte-americano, enfrentava uma acusação de violação quando foi encontrado morto em casa na semana passada e agora mais duas mulheres, também elas DJs, falaram publicamente sobre o assédio sexual de que foram alvo por parte do músico. "Não deveríamos glorificar violadores", escreveu a sueca Ida Engberg, no Instagram, referindo-se às homenagens públicas que têm sido feitas a Morillo desde a sua morte.

"A nossa comunidade da música de dança não deveria tentar varrer o comportamento do Morillo para baixo do tapete", escreve Engberg, "devemos isso a todas as mulheres da nossa geração e das gerações que se seguem. Deixa-me doente a forma como a nossa comunidade se deixa levar pelas grandes estrelas. Devíamos ter vergonha".

A DJ sueca revelou também ter sido vítima de assédio por parte de Morillo, em 2006, dizendo que o DJ colocou MDMA na sua bebida contra a sua vontade. "Conheci-o em Ibiza em 2006 e uma vez, numa after party em casa dele, eu estava sentada numa espreguiçadeira a falar com um amigo meu e ele aproximou-se por trás de mim, puxou a minha cabeça para trás, segurou-me na testa e despejou uma bebida na minha boca contra a minha vontade. Perguntei o que era aquilo e ele riu-se e disse que era MDMA", conta Engberg.

"Levantei-me e fui-me embora. Mais tarde, um amigo disse-me que ele tinha pedido a todas as raparigas que não se despiram para se irem embora da festa", acrescenta ainda, "esta é apenas a minha história. Pode não parecer uma grande questão, mas passei uma temporada em Ibiza em 2006 e ouvi inúmeras histórias parecidas. Ele tinha uma péssima reputação".

Também a DJ de drum 'n' bass Empress aponta agora o dedo a Morillo por tê-la assediado quando tinha apenas 17 anos e trabalhava numa loja de disco nova-iorquina, em 1998. "Ele aparecia por trás de mim e esfregava-se nas minhas pernas e rabo quando eu estava virada para a parede a arrumar discos, respirando o seu hálito quente nos meus ouvidos enquanto sussurrava as coisas sexualmente perversas que me queria fazer. As primeiras vezes em que fez isso, eu ficava paralisada. Não sabia o que fazer, era muito jovem. Toda a gente o conhecia na altura por ser o tipo do 'I like to move it move it'".

Recorde-se que Morillo chegou a ser detido, no mês passado, devido ao caso que reporta ao passado mês de dezembro. Apesar de inicialmente ter negado as acusações de violação, um teste encontrou vestígios do seu ADN na vítima e o músico entregou-se. À data da sua morte, aguardava uma audiência em tribunal, que deveria ter-se realizado na passada sexta-feira.