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Bill Callahan apagou “o velho Bill”. E, de jorro, gravou o seu segundo álbum de 2020

Poucas semanas após “Shepherd in a Sheepskin Vest”, Bill Callahan correu para o estúdio e, de rompante, gravou as dez canções que constituem o novo “Gold Record”. É impossível não nos rendermos aos seus encantos

Bill Callahan a fazer bolinhas de sabão em ambiente campestre. Bill Callahan, de mangueira na mão, a regar o jardim. Bill Callahan em pose sobre a bicicleta à entrada de um bosque frondoso. Bill Callahan em equilíbrio sobre as pedras de um ribeiro. Bill Callahan espreitando, tranquilo, por entre a folhagem. O Bill Callahan atual que, acerca do primeiro álbum, “Sewn to the Sky” (1990), disse à “Record Collector”: “A pessoa que gravou esse álbum, hoje, provavelmente não me reconheceria. O tipo de ‘Sewn to the Sky’ via o mundo de uma forma diferente e não teria grande apreço por mim, agora. Esse disco é como um tag, a assinatura que alguém faz num edifício ou num comboio, para afirmar a sua individualidade. Apenas me preocupava a existência daquele objeto, pouco me importava se alguém o compraria ou não. Era apenas a satisfação, o orgasmo de, fisicamente, o ter criado” (menos amavelmente, já lhe chamou também “a monkey throwing shit on the walls”). Porque o artista anteriormente conhecido como Smog — até “A River Ain’t Too Much to Love” (2005) —, transformou-se no género de pessoa que, no ano passado, aquando da publicação de “Shepherd in a Sheepskin Vest”, abdicou de voar dos EUA para a Europa, preferindo conceder entrevistas por telefone ou FaceTime, sob o argumento de que uma viagem de avião de ida e volta Nova Iorque-Londres derrete 3 mil metros quadrados de gelo polar. No fundo, tudo aquilo que, em mui económica síntese, anuncia na quase naïve ‘Let’s Move to the Country’, do novo “Gold Record”: “Let’s move to the country, just you and me, a goat and a monkey, a mule and a flea, let’s move to the country, just you and me, my travels are over, my travels are through, let’s move to the country, just me and you, let’s start a family, let’s have a baby or maybe two.” Uma espécie de aurea mediocritas revisitada com programa já em curso, tal como no anterior “Shepherd...”, seis anos em maturação, se relatava.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.