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Pedro Abrunhosa: “[Cavaco] era, na sua postura, muito próximo do que tinha sido Salazar”

Em maio, Pedro Abrunhosa recordava no podcast da BLITZ o concerto na Costa de Caparica, no verão de 1994, que catapultou o descontentamento nacional ampliado pelo buzinão na ponte 25 de Abril, em Lisboa. “Nunca mais houve cargas policiais em Portugal. O povo português nunca mais aceitou ser espezinhado”. Na mira de Abrunhosa esteve sempre Cavaco Silva. Nas 'férias' do Posto Emissor recordamos algumas das afirmações mais marcantes dos 27 programas já emitidos

No período de 'férias' do Posto Emissor recordamos algumas das afirmações mais marcantes dos 27 programas já emitidos.

Em conversa com a BLITZ em maio, Pedro Abrunhosa recordou a altura, nos anos 90, em que a sua voz teve um papel de intervenção política. “Havia um culto em torno das minhas intervenções políticas porque não havia mais ninguém a fazê-las na esfera que eu representava”, considera hoje.

Particularmente fixado na sua memória está o dia 31 de agosto de 1994, em que deu com os Bandemónio um concerto na Costa de Caparica, fortemente marcado por um incentivo à rebelião. Frescos estavam episódios de violência em cargas policiais na Marinha Grande, no Porto, e sobretudo os confrontos registados na ponte 25 de Abril, em Lisboa, a 24 de junho desse ano, hoje considerados estertores do governo de então, chefiado por Cavaco Silva.

Abrunhosa afirma que “desde o dia 31 de agosto de 94 não houve cargas policiais em Portugal. O povo português nunca mais aceitou ser espezinhado”, comparando a postura do então primeiro-ministro, Cavaco Silva, à do chefe do Governo de Portugal entre 1932 e 1968. “[Cavaco Silva] era muito próximo, na sua postura, do que tinha sido António de Oliveira Salazar”, considera. “E o povo português, durante algum tempo, tolerou”.

Para ouvir a partir dos 16 minutos: