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Miguel Angelo (Delfins): “Quando os pescadores são proibidos de pescar sardinhas também recebem para ficar em casa”

Miguel Angelo, dos Delfins, critica o facto de a cultura não ser "encarada como a atividade económica que é". "É bom não esquecer que, por lei, fomos proibidos de trabalhar"

Miguel Angelo falou sobre a situação da cultura em Portugal, partindo do contexto da pandemia de covid-19, numa entrevista ao Diário de Notícias publicada esta sexta-feira. O músico, que se tornou conhecido com os Delfins, critica o facto de o setor não ser encarado "como a atividade económica que é e tanto contribui para o PIB nacional".

"E não falo só dos empregos diretos que gera, mas também da parte turística e da restauração, que também ganham bastante sempre que há um festival ou um concerto", continua, "eu percebo que o Ministério da Cultura não tenha força para dar resposta a tudo, mas se calhar já era tempo de esta indústria passar para a alçada do Ministério da Economia [risos], porque é uma atividade económica muito forte e está completamente desamparada".

Chamando à atenção para o facto de os espetáculos terem sido interrompidos durante o estado de emergência, Miguel Angelo acrescenta: "é bom não esquecer que, por lei, fomos proibidos de trabalhar, porque o nosso trabalho punha em risco a saúde pública. Fomos proibidos, mas e agora? Quando os pescadores são proibidos de pescar mais sardinhas, devido às quotas europeias, também recebem uma compensação para ficar em casa".

Recorde-se que os Delfins iam regressam aos palcos este ano, com um concerto integrado no Rock in Rio Lisboa. Miguel Angelo editou o disco a solo "Nova (Pop)" no final do ano passado, regressando agora aos palcos para o apresentar no Theatro Circo, em Braga, já este sábado - a 3 de outubro atua na Casa das Artes de Miranda do Corvo.