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O disco ‘caseiro’ de Angel Olsen acaba por destacar de forma diferente as palavras de uma artista que não tenta embelezar a mensagem

Kylie Coutts

A sós com Angel Olsen. Agora em pijama em vez de vestido de gala

Antes de “All Mirrors”, o álbum majestoso que editou em 2019, Angel Olsen gravou “Whole New Mess”: (quase) as mesmas canções, mas de pijama em vez de vestido de gala. Em beleza e acutilância, nada se perde

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Quando se fizerem as contas a 2020, esse ano que a cada dia se revela uma rutura nos hábitos e nas expectativas da população mundial, é muito provável que uma das palavras mais citadas seja “solidão”. Absoluta ou acompanhada, voluntária ou imposta, frutuosa ou punitiva — é improvável que alguém chegue ao final desta temporada sem ter sentido, ainda que ocasionalmente, aquilo a que Manel Cruz chamaria “o travo amargo da solidão”. E se muito boa gente recorre a antidepressivos ou outros consumos para anestesiar a dor, músicos, poetas e demais artistas assumem o seu estatuto quase mediúnico para transformarem o desgosto em beleza. Para Angel Olsen, cantora-compositora nascida há 33 anos no estado norte-americano do Missouri, a solidão é uma velha amiga. “Não gosto de estar com outras pessoas”, confessou, em entrevista recente ao “NME”. À “Pitchfork”, reforçou a ideia: “Sou introvertida, por isso, quando as pessoas me veem a atuar, é só isso que estão a ver: uma performance. Estou a tentar liderar a minha banda e parecer bem-disposta. Mas estar com outras pessoas suga-me muita energia. Se pudesse, lançava um disco, fazia eu as minhas fotos, partilhava um manifesto para não ter de dar entrevistas e dava uns concertos aqui e ali. Lançava a música e deixava que as pessoas a ouvissem por aquilo que ela é.”

Editado menos de um ano após “All Mirrors”, “Whole New Mess” é, provavelmente, o mais perto que Angel Olsen poderá estar desse sonho anticapitalista. Composto por 11 temas, o disco reúne versões — mais do que despidas, descarnadas — de nove das canções de “All Mirrors” e dois inéditos de uma doçura que é tão tocante como ambígua.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.