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Miguel Araújo

Miguel Araújo: “Não acarinho o dinheiro como quem rega flores, mas o impacto é brutal: passei de 70 concertos por ano para 2”

O impacto da pandemia de covid-19 na vida de Miguel Araújo. "Vai rolar menos dinheiro, mas descobri que a performance e os concertos não eram tão vitais"

Miguel Araújo falou do impacto da pandemia de covid-19 no seu quotidiano, admitindo que o "impacto é brutal" e que passou de 70 concertos para 2 por ano. "Vitais são a família e o trabalho no meu estúdio, em casa", diz o músico, em entrevista à revista Visão, "tenho uma relação meio metafísica com o dinheiro, não o acarinho como quem rega flores".

"Penso nas músicas, gravo-as, dou as minhas corridinhas, o meu mergulhinho no mar, ando de bicicleta com os meus filhos", acrescenta, ao falar sobre a sua vida diária, "não se pode viver na angústia, na tristeza e no desânimo. As previsões económicas mais fatalistas nunca contam com a adaptação do ser humano. De repente, um restaurante abre uma janela ou serve refeições à porta, há concertos online... Algo de bom virá daqui".

O ex-Azeitonas explica que surgiram outro tipo de trabalhos quando deixou de fazer concertos: "uma banda sonora para um projeto do César Mourão, na SIC, e uma outra coisa para a TVI". "Faço outra espécie de trabalhos com a minha equipa. Vai rolar menos dinheiro, mas descobri que a performance e os concertos não eram tão vitais, diz ainda, "achei que ia bater um bocado mal, até porque adoro tocar ao vivo e escrevo muito em viagem: é bom para a criatividade ver a paisagem a mudar. Mas, há dias, fui de bicicleta até à Universidade Católica assinar livros e fiz uma música pelo caminho".