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João Peste, dos Pop Dell'Arte

Rita Carmo

João Peste: “Nos anos 60 apareceram os hippies, nos 70 o punk, depois o techno e as raves. Nas últimas décadas, nada de novo”

Para o vocalista dos Pop Dell'Arte, o século XXI tem sido “pouco transgressivo”. “Em termos de cultura jovem, parece quase tudo reciclado”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

João Peste, vocalista dos Pop Dell'Arte, considera que o século XXI tem sido "pouco transgressivo".

"Nos anos 60 apareceram os hippies, nos anos 70, o punk, a seguir o techno e depois as raves; nas últimas décadas, não surgiu nada de novo em termos de cultura jovem, parece quase tudo reciclado. Não tem havido nada que surpreenda ou que nos cause estranheza", afirmou Peste à edição desta sexta-feira do "Jornal de Negócios".

"Há uma repetição daquilo que está feito e por isso é urgente recuperarmos a ideia de transgressão. É urgente recuperarmos a ideia de um não conformismo por parte do artista - seja um escritor, um músico, um pintor - para podermos ir mais longe. E esse ultrapassar dos limites não tem de ser apenas estético, também poderá ser político ou moral, tanto que há artistas esteticamente transgressivos e que não o são politicamente ou moralmente, e vice-versa", argumenta.

Na mesma entrevista, João Peste, cuja banda lançou este ano o álbum "Transgressio Global", comentou ainda as medidas de apoio à cultura, que considera insuficientes, apesar de admitir que não será "nada fácil gerir uma situação destas. Mas espero que em breve possamos retomar concertos, há muita gente a passar por grandes dificuldades, sem alternativas em termos de rendimentos. Há pessoas muito esquecidas, que sempre foram esquecidas e que estão a ser esquecidas de novo. A pandemia veio tornar mais desigual o que já era desigual".