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Investigadores portugueses dão o nome do vocalista dos Metallica a nova serpente africana

A Atheris hetfieldi é uma das serpentes "mais extravagantes" de África, diz à BLITZ um dos investigadores portugueses por detrás do estudo e do batismo "metálico". Veja imagens desta serpente venenosa

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Uma equipa composta por dois biólogos portugueses e um biólogo norte-americano publicou, na revista científica Zootaxa, a descrição de uma nova espécie de víbora africana, à qual chamaram Atehris hetfieldi, em homenagem ao vocalista dos Metallica, James Hetfield.

À BLITZ, Luís Ceríaco, curador chefe do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, explicou que "estas serpentes, além de venenosas, são das visualmente mais extravagantes de toda a África, com uma aparência espinhosa e cores fortes".

"Como quem descreve uma espécie tem a liberdade de lhe dar o nome, decidimos batizá-la de Atheris hetfieldi, em honra do James Hetfield dos Metallica", conta Luís Ceríaco.

"Para além da sua aparência claramente metaleira, o batismo fica-se a dever ao facto de os autores do artigo serem fãs incondicionais de Metallica, cujas músicas os acompanham nos expedições de campo e lhes dão coragem para enfrentarem as dificuldades inerentes ao trabalho de campo e às complicações do mundo académico e de investigação cientifica", assinalam ainda, com entusiasmo, os autores do estudo.

A Atheris hetfieldi mede no máximo 52 centímetros e apresenta escamas espinhosas, em tons de castanho e verde.

A serpente é endémica da ilha de Bioko (Guiné Equatorial), uma ilha de origem vulcânica marcada pelo vulcão de São Carlos, que mede mais de 2200 metros e se encontra completamente coberto por uma densa floresta tropical, avançam os cientistas.

Os membros do género Atheris, conhecidos como víboras arborícolas africanas, são víboras venenosas que habitam em zonas de floresta tropical densa, em África. Habitam os galhos das árvores, aos quais se agarram através da cauda.

"Todas as espécies deste género têm uma morfologia peculiar – a cabeça triangular, com grandes olhos e escamas espinhosas dão as estas serpentes uma aparência de dragão – certamente apropriada à imagem do vocalista de uma banda de heavy metal", explica a equipa composta por Luís Ceríaco, Mariana Marques (estudante de doutoramento do CIBIO/Universidade do Porto e curadora do Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa) e Aaron Bauer, Professor na Villanova University, na Pensilvânia, Estados Unidos.

Veja aqui imagens da serpente e uma ilustração inspirada pela mesma, da autoria de Arthur C. Wandeur.

Imagens da serpente Artheris hetfieldi

Imagens da serpente Artheris hetfieldi

Os investigadores acrescentam ainda que a serpente "metálica" é "unicamente conhecida da base deste vulcão. Pouco se sabe sobre a ecologia, história natural e ameaças à conservação. Algo que não é surpreendente, pois a ilha do Bioko contínua misteriosa para a ciência, albergando milhares de espécies de animais e plantas, sendo que umas boas centenas delas serão ainda hoje desconhecidas para a ciência. São precisos mais trabalhos de campo para melhor conhecermos esta fantástica biodiversidade e lutar pela sua preservação".