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Selma Uamusse: “Cantar em macua é um ato político de dizer que Moçambique não é apenas o sul. A população do norte está a ser chacinada”

No seu segundo disco a solo, Selma Uamusse quis um som mais ousado e universal. “Liwoningo”, palavra que significa ‘luz’ numa das línguas de Moçambique, concretiza a sua ambição. É um disco político

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Antes de pensar em melodias e letras, que habitualmente canta em várias línguas de Moçambique, em português e em inglês, Selma Uamusse precisa de encontrar um conceito. Só então começa a construir as canções, vibrantes e inquietas, que já reuniu em dois álbuns: “Mati”, lançado em 2018, e “Liwoningo”, apresentado ao mundo em julho, depois de um adiamento de vários meses, devido à pandemia de covid-19. “O que senti foi que, se ficasse à espera do timing perfeito para lançar o disco, provavelmente ele não aconteceria, pois a incerteza era muito grande”, explica Selma Uamusse ao Expresso. “Senti que não fazia sentido deixar de dar esta luz de esperança às pessoas que seguem a minha música. O princípio foi entregar música que continua a ser comida para a nossa alma, o nosso espírito e, para quem gosta de dançar, o nosso corpo”, expõe. Dona de uma voz poderosa e multifacetada, Selma Uamusse, que chegou a fazer parte da banda rock Wraygunn e canta regularmente com Rodrigo Leão, impressiona quem a vê em concerto pela grande entrega física e também pela insistência numa mensagem positiva e espiritual, à qual não é alheia a sua fé. E foi com essa força interior em mente que “Liwoningo” (‘luz’, em língua chope) se seguiu a “Mati” (‘água’, em língua changana). “O mais importante para mim, numa fase inicial, é ter um conceito. E no ‘Liwoningo’ isso é muito direto. O conceito veio antes das letras, das composições, das melodias. Este nome já estava predefinido, porque vivemos num tempo em que a sociedade precisa de caminhar mais na luz, precisamos de não estar indiferentes uns aos outros. À exceção da ‘Song of Africa’, que me acompanha há muito tempo, todas as letras foram feitas em função do conceito de ser sol e luz no mundo.”

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.