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Pedro Abrunhosa: “Não posso viver na eterna reclusão a que o pânico deste vírus me quer confinar”

"Não há pior peste que o medo e a penúria: o primeiro paralisa, a outra é pequena", defende Pedro Abrunhosa num longo texto sobre a vida em tempos de pandemia de covid-19

Pedro Abrunhosa está de volta à estrada e escreveu um longo texto no qual defende que não pode viver no "pânico e incerteza" da pandemia de covid-19. "Este não é o tempo para entregar o nosso descontentamento ao conforto aparente da vida digital ou à negação plena da vida física. Fazê-lo é sucumbir ao medo e à penúria: o primeiro paralisa, a outra apequena. Pior peste não há", escreve o músico.

“Pessoalmente, não posso viver na eterna reclusão a que o pânico e a incerteza deste vírus me querem confinar. Não me furtarei a fazer tudo o que possa para contribuir, dentro dos limites da salvaguarda sanitária, para o regresso de uma cidadania digna e de uma economia pulsante", continua Abrunhosa, que regressou aos palcos a 23 de maio para um concerto em formato drive-in em Leiria e encheu o Estádio Municipal de Gaia no passado dia 8.

Sobre o seu regresso à atividade, o artista diz ainda que "enquanto músico e cidadão, tenho, na minha pequenez, ajudado no re-arranque de que o país tanto precisa continuando a fazer dos meus espectáculos, sempre lotados, experiências de transcendência e prazer. Até agora, e depois de actuar no Porto, Ovar e Gaia, perante milhares de pessoas, nenhum surto de Covid-19 daí adveio. A razão é simples: não só toda a logística está preparada para proteger os que acorrem a estes momentos de libertação, como fazemos questão de que toda a experiência seja segura até ao último instante".

Recordando o concerto em Gaia, deixa um pedido aos seus pares: "na última canção pedi aos presentes que colaborassem comigo num jogo de papéis invertidos: os músicos manter-se-iam no palco a tocar enquanto, fila a fila, a começar pela última e a acabar na primeira, os presentes abandonariam o recinto até este ficar completamente vazio". Abrunhosa explica que o "intenso momento poético" ajudou a que o público abandonasse o recinto de forma mais segura.

"Peço a todos os meus colegas com espectáculos marcados que, numa tentativa de minimizar contactos, ajudem o público a deixar o recinto de forma análoga, ou outra que acharem conveniente, no complexo momento em que todos se dirigem para as saídas. Obrigado a todos. O próximo concerto de Pedro Abrunhosa decorre nas Noites F, em Faro, a 23 de agosto e o músico atua também na Culturgest, em Lisboa, no dia 19 de setembro.