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Rita Carmo

Miguel Araújo: “Tenho colegas em que até os seus nomes pertencem à editora. A partir de agora vai ser essencial fazer alguma coisa”

“Se passassem um chapéu para donativos, nem veriam o dinheiro”, afirmou Miguel Araújo no podcast da BLITZ em março, falando sobre os contratos que, defende, aprisionam os artistas. No mês de 'descanso' do Posto Emissor recordamos algumas das afirmações mais marcantes dos 27 programas já emitidos

No mês de 'descanso' do podcast Posto Emissor recordamos algumas das afirmações mais marcantes dos 27 programas já emitidos.

Convidado do Posto Emissor em março, Miguel Araújo falou sobre as implicações de ter um contrato com uma grande editora discográfica.

"Muitos colegas meus continuam a assinar contratos de artistas com multinacionais, contratos pelos quais até o nome deles pertence à editora. Se um artista desses passar o chapeuzinho para as pessoas darem o seu donativo, nem sequer tem direito a esse dinheiro, quanto mais ao dinheiro dos streams", alerta.

"No meu caso, não tenho problema nenhum em dizer: tenho duas músicas independentes, 'Ainda Estamos Aqui' e 'Talvez Se Eu Dançasse'. Tenho o Spotify a render dinheiro para mim desde setembro de 2018, e neste ano e meio fiz 1600 euros com essas duas músicas. Não é mau, mas se fosse a minha obra toda, teria dinheiro para me aguentar", partilha.

Miguel Araújo já não tem contrato com a Warner, mas alguns efeitos do mesmo continuarão a fazer sentir-se durante 8 anos, diz.

"Quando assinei o contrato não havia streaming, mas o meu contrato supõe que, havendo qualquer dinheiro, se lhe aplicam as taxas normais dos discos; então, de 99% da minha obra durante 8 anos não vou ver nada, porque vai tudo para a Warner. Já acho isso desconfortável há muito tempo, mas a partir de agora vai ser essencial fazer alguma coisa. Porque o paradigma mudou completamente. Todo este esquema assentava no facto de a profissão dos músicos ser tocar ao vivo e o dinheiro vir daí. Agora não vem mais".

Esta resposta começa cerca dos 23m40s: