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“Vestem preto para ser discretos. Sem eles não há espetáculos”. Manifestação pelos técnicos do audiovisual alerta para setor desesperado

A situação dos técnicos, roadies e demais profissionais do mundo do espetáculo reuniu manifestantes no Terreiro do Paço, em Lisboa. “Queremos um dia voltar” foi o mote do protesto. Na praça ribeirinha da capital, os manifestantes dispuseram as suas flight cases, tendo sido projetadas imagens das salas de espetáculos vazias

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Chamar a atenção para a situação atravessada pelos profissionais do espetáculo, nomeadamente os técnicos de som e luz e roadies, foi o objetivo de uma manifestação realizada ontem, 11 de agosto, no Terreiro do Paço, em Lisboa.

O protesto foi convocado pela Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos (APSTE), formada por mais de 140 empresas da área. A falta de trabalho no setor, após o cancelamento de grande parte dos espetáculos devido à pandemia de covid-19, está a deixar muitos dos profissionais desesperados.

“As empresas que compõem a APSTE representam mais de mil postos de trabalho diretos e cerca de três mil indiretos, entre os quais se encontram técnicos de som, iluminação, vídeo, riggers, stage hands e outros profissionais. Segundo um inquérito realizado pela APSTE, durante o mês de maio, 93% das empresas associadas não efetuaram despedimentos até à data, mas 60% recorreram ao lay-off. Além disso, 56% das empresas não têm liquidez para pagar os salários nos meses de agosto e setembro”, pode ler-se no comunicado da associação.

“Queremos um dia voltar” foi o mote da manifestação. No Terreiro do Paço, os manifestantes dispuseram as suas flight cases, tendo sido projetadas imagens das salas de espetáculos vazias.

O protesto foi refletido nas redes sociais de músicos e atores.

“Pela dignidade de todos os profissionais do audiovisual! Por um estatuto profissional digno, justo. Temos vários colegas a viver em situação precária, a passar fome. Chegamos ao limite, exigem-se medidas urgentes!”, escreveu o ator Miguel Costa.

“São eles que fazem acontecer os espetáculos. Vestem sempre preto para ser discretos. Vocês não lhes conhecem a cara, porque são discretos, altamente profissionais. Sem eles não há espetáculos, não há eventos. Lembrem-se destas pessoas todas. Agradeçam a estas pessoas todas que estão sempre atrás das cortinas mas que fazem acontecer”, lembrou por seu turno Gisela João.

“A todos os profissionais do espetáculo que proporcionam o palco, o som, a luz, o vídeo, a produção de eventos e que estão a enfrentar uma crise que não tem um fim claro, muito obrigado pelo conforto que me proporcionaram enquanto músico e o entretimento enquanto espectador. Enorme Respeito. Espero ver-vos na estrada asap”, partilhou Xinobi.

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