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Uma parceria com o jornal EXPRESSO

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B Fachada, Chico da Tina, Selma Uamusse (em cima); Tristany, Império Pacífico, Vaiapraia (em baixo)

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Vá para fora cá dentro. A música nova cabe toda dentro deste Portugal

Há urgência no rock e no hip-hop, há novidades poéticas em vozes masculinas e femininas, há ironia e seriedade, há guitarras acústicas e sintetizadores para todos os gostos. Apresentamos 10 canções de Portugal que nos lembram que o verão é de todos e que o nosso mundo – o das canções, pelo menos – não para de girar

Agosto: tempo de férias e de praia, agora mais tempo de estradas do que de aeroportos, tempo de mar e de serra, de grelhados e de bebidas frescas. E, tal como em todos os outros meses, bom tempo para música nova, igualmente fresca e convidativa a uns mergulhos.

A música portuguesa, é lícito dizê-lo, nunca esteve tão plural, tão múltipla, tão capaz de disparar em várias direções ao mesmo tempo. Há urgência no rock e no hip hop, há novidades poéticas em vozes masculinas e femininas, há ironia e seriedade, há guitarras acústicas e sintetizadores para todos os gostos. Espreitem lá que vale a pena.

1. B Fachada – Namorada

Porque a vida não é só de pipis ou de pipocas e porque namorados e namoradas rimam com verão e agosto, é bom que se desafiem mamocas e se dê tempo de Antena a B Fachada que assinou com Rapazes e raposas um dos melhores discos deste ou de qualquer outro ano, pop para o Portugal profundo que todos nós sabemos bem que ainda existe.

2. Dino d’Santiago – Morna

A Unesco sabe o que é bom e por isso classificou a morna de Cabo Verde como mais um dos tesouros imateriais da humanidade, colocando-a ao lado do fado ou do cante e reconhecendo que é a expressão séria de um povo que também sabe muito bem o quanto pesa a palavra saudade. Dino d’Santiago é um dos mais fortes símbolos do Cabo Verde do futuro, um português do Algarve que pegou nas raízes dos seus pais e as transformou em classe pura e modernidade. E se a Unesco fez uma vénia à morna de B.Leza ou Cesária, o Colors Show, palco global que tem ajudado à consagração de nomes como Doja Cat, Skepta, Princess Nokia ou JPEGMAFIA, fez o mesmo a Dino d’Santiago que aproveitou que o mundo estava a ouvir para mostrar o que tem na alma.

3. Chico da Tina – Resort

Garante o grande símbolo do trap do Minho que está sempre de férias e que para ele é sempre Agosto. Esta “Resort” acabou de sair do forno, marca a chegada de Chico da Tina ao catálogo de uma das majors nacionais e é uma amostra forte do seu particular talento: alinhar palavras que falem a língua dos recreios das escolas secundárias (grandes notas este ano, hein?), das viagens de finalistas (talvez para o ano...) e das celebrações universitárias (hão-de voltar) não é para quem quer, é mesmo para quem sabe. E o Chico sabe-a toda (e dá-lhe no skate também...).

4. Vaiapraia – É que à noite

“Cada um é para o que nasceu”, canta o Rodrigo, e é mesmo: ele nasceu para isto. Guitarras, palavras arrancadas de dentro, e riffs gritados que nos impulsionam o salto, que nos levam a querer abanar o cabelo (e ter cabelo pode ser um estado de espírito, atenção) e fazer a revolução. À noite, de preferência.

5. ProfJam e Benji Price – Tribunal

Fado para o futuro ou para o presente? Talvez para o fim dos tempos. Os dois pontas de lança da Think Music juntaram esforços e deixaram marca forte para este 2020, com um disco carregado de bangers que chegam para nos encher os ouvidos para os próximos tempos. E neste “live on tape”, Prof e Benji deixam claro que isto funciona, mesmo sem a rede do estúdio, colando as suas rimas em harmonias orelhudas.

6. Tristany – acliclas (ft Julinho KSD, Blade e Chullage)

Tristany é o futuro. Quer o mundo queira quer não. Meia Riba Kalxa, álbum que o artista da Linha de Sintra lançou já este ano, é um dos mais apaixonantes registos que a música portuguesa gerou neste estranho 2020, um despacho da periferia que todos os centros precisam de ouvir, um retrato das ruas das notícias, tudo embalado com música que se agita porque não se conforma, carregada de ideias que são novas e que por isso são realmente urgentes.

7. Império Pacífico – Nitsusada feat. Maria Reis

Luan Belussi (aka Trash CAN) e Pedro Tavares (aka funcionário) são os Império Pacífico, dupla que nos ofereceu um belíssimo Exílio em vésperas deste verão arrancar. No álbum há um par de canções com a participação de Maria Reis, de Pega Monstro, e esta “Nitsusada” parece ser um hino para os dias em que os corações se partem, mas que o sol e a água salgada ajudam a remendar-se de novo.

08. mema. – Perdi o Norte

Quem é que nunca perdeu o norte, o medo da morte, a sorte? mema. escreveu, compôs e produziu esta canção que agarra na guitarra portuguesa de Hugo Clara e faz dela fado universal. Já tem uns meses, mas continua a valer e a estar cheia de promessa para o futuro.

9. O Terno – Bielzinho / Bielzinho (Xinobi remix)

Imaginem só, viagem pela costa vicentina ou pelo interior rochoso, não importa. É agosto, estão sós, ao lado de quem importa, e apetece-vos dançar. Ponham esta e se não houver uma coluna potente ou se não estiver a dar na rádio (até pode acontecer...) podem até usar mesmo o telemóvel. A canção dos brasileiros O Terno, de Tim Bernardes, merece aqui um retratamento de Xinobi, um dos pés dançantes da Discotexas, que é êxtase puro, música para o amor e para o pôr do sol, para a dança de sorriso na cara e olhos fechados. Toca bonito.

10. Selma Uamusse – Maputo

Selma Uamusse com os brasileiros Bixiga 70 a cantar a sua “Maputo” sobre cadência afrobeat, evocando o mestre Fela com uma classe absoluta. É um dos grandes temas de Liwoningo, o seu mais recente álbum. Música perfeita para este verão que se quer cheio de luz e de dança, de paz e de harmonia. Selma tem isso tudo na garganta.