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Lily Cornell Silver

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“Pessoas estúpidas não sofrem de ansiedade”. Foi o que Chris Cornell disse à filha mais velha

Lily Cornell Silver, a filha mais velha de Chris Cornell, fala sobre os seus problemas de ansiedade e sobre o luto que continua a fazer pela morte do pai. E revela alguns dos conselhos que o falecido líder dos Soundgarden lhe deu

Lily Cornell Silver, filha de Chris Cornell, deu uma longa entrevista à revista Rolling Stone, durante a qual falou sobre o seus problemas de ansiedade e de stress pós-traumático, que diz terem sido ampliados pelo confinamento imposto pela pandemia de covid-19. A jovem de 20 anos recordou alguns conselhos que o pai lhe deu, explicando que foi ele que a inspirou a criar o projeto "Mind Wide Open", que se traduz numa série de entrevistas na rede social Instagram com especialistas de saúde mental e pessoas que sofrem com questões de ansiedade e depressão.

"Debati-me com ansiedade e luto e stress pós-traumático toda a minha vida. E a minha saúde mental sofreu, definitivamente, com a questão da quarentena", explicou Silver, "acredito verdadeiramente que a inacessibilidade e o estigma que rodeiam a saúde mental contribuem grandemente para o facto de as pessoas sofrerem. Tenho muita experiência nesse campo portanto é algo que sinto que quero partilhar com os outros se isso puder ajudá-los de alguma forma".

Questionada sobre se teria falado muito com o pai sobre o assunto, Silver revela que ambos falavam sobre as suas próprias experiências. "Quando eu tinha 12 anos ou algo do género, ele disse-me: 'quando eu tinha 12, ficava acordado na cama à noite com o meu coração a bater muito forte. Parecia que ia ter um ataque cardíaco'", recorda, "uma coisa que ele me costumava dizer era que 'as pessoas estúpidas não sofrem de ansiedade. O facto de tu te preocupares sobre tudo o que pode correr mal, mostra que és muito inteligente e que o teu cérebro funciona muito rápido".

Sobre as ferramentas que o pai lhe passou para lidar com a depressão e ansiedade, Silver refere exercícios de respiração e, também, um conselho especial: "procurar o apoio de outras pessoas". "Acho que é muito importante que tenhamos alguém assim na nossa vida. Precisamos de ter alguém com quem possamos ser sinceros sem nos preocuparmos com o facto de sermos julgados. A minha mãe também é uma dessas pessoas, para mim".

"O 'Mind Wide Open' foi, na verdade, inspirado pelo meu pai", revela ainda, "quando estava a terminar o secundário, tinha aulas de poesia e um dos trabalhos era encontrar um arquivo familiar e escrever um poema sobre isso. Temos algumas das letras de canções do meu pai, dos anos 90, escritas à mão por ele, aqui, e encontrei algo que acho que nunca foi revelado: 'Half alive/Heard the most brilliant lie/Sleep is eyes closed to the light/Death is the mind wide open'. Identifiquei-me muito com isso".